Dizer que Joan Armatrading foi uma das primeiras negras a se aventurarem como cantora e compositora é prestar a ela um desserviço. Embora essa afirmação seja válida, num determinado nível, não permite conhecer o valor total de seus talentos e a enquadra num pequeno compartimento. Na verdade, qualquer um que faça um trabalho tão sincero e retumbante como este seu terceiro álbum é digno de nota, independentemente de cor ou sexo.
Apesar de seus discos anteriores prometerem, o talento de Armatrading como compositora floresceu completamente neste LP, impulsionado por um olho atento a detalhes, assim como um delicioso senso de humor. O disco abre com o dedilhar arrebatador de “Down To Zero”, na qual a cantora pune seu amante por sua inconstância, ao mesmo tempo que se recrimina por aceitá-lo de volta. A faixa ganha uma profundidade melancólica com o trabalho esmerado de B. J. Cole na pedal steel. Armatrading compartilha outras máximas de sabedoria-da-manhã-seguinte em “Water With The Wine” e faz uma de suas melhores performances vocais em “Save Me”, explorando toda a variedade de suas ricas qualidades vocais.
O produtor Glyn Johns, que trabalhou com Steve Miller, The Who e os Rolling Stones, é um dos responsáveis pela força que caracteriza o álbum. Armatrading contou também com o apoio de excelentes músicos do Fairport Convention e dos Faces, misturando pop-folk com elementos do jazz, reggae e R&B. O resultado é um som límpido e profissional, sobre o qual se destacam os dons únicos de Armatrading.



