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“Paris 1919″ de John Cale

É difícil imaginar um disco tão europeu sendo produzido em Los Angeles, num estúdio com nome muito apropriado – Sunwest. Talvez seja esta a razão porque Paris 1919 brilha com uma luz que só tremulou no álbum solo de JohnCale, Vintage Violence (1971).

Claro, o produtor Chris Thomas era britânico, mas os músicos de estúdio eram Lowell George e Richard Hayward, do Little Feat, um marco do rock californiano dos anos 70. As orquestrações são elaboradas, mas o álbum não é uma obra clássica como The Academy In Peril (1972). Trata-se, na verdade, de um disco pop suculento, utilizado pelo artista para exorcizar seu passado experimental com o La Monte Young e o The Velvet Underground.

A hipnotizante faixa de abertura, “Child’s Christmas In Wales”, faz referência ao poeta mais famoso do país de Cale, Dylan Thomas. “Andalucia” e “Half Past France” são retratos de viagem autobiográficos; “Macbeth” é uma homenagem ao boogie-rock e “Graham Greene” toma chá com uma pitada de reggae. “Hanky Panky Nohow” e “Antarctica Starts Here” expressam uma sensibilidade que há muito não era vista no rock.

O álbum, o retrato de uma alma atormentada num raro momento de equilíbrio pessoal e uma proeza musical que Cale nunca igualaria, ainda exala uma mistura rica e coesa de nostalgia e surrealismo. Os arranjos são maravilhosos – o crédito é de Cale, que já havia feito os arranjos de The Marble Index, da amiga Nico – e a música, genial. Outros álbuns de Cale podem estar mais próximos do espírito desafiador adorado por uma minoria, mas nenhum entrou na história do pop como Paris 1919.

Child’s Christmas In Wales: YouTube Preview Image

Andalucia: YouTube Preview Image

Hanky Panky Nohow: YouTube Preview Image

Antarctica Starts Here: YouTube Preview Image

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