À medida que os anos 70 avançavam, John Martyn ia ficando cansado. As mortes dos amigos Nick Drake e Paul Kossoff o abalaram. Seu estilo infernal de vida, movido a doses cada vez maiores de álcool e drogas – diametralmente oposto ao trovador cósmico de voz doce incorporado no álbum -, combinado com a descrença geral na indústria da música, pressionou Martyn até o limite. A convite do fundador da Island, Chris Blackwell, ele passou algum tempo na Jamaica, onde conheceu o lendário produtor Lee Perry e gravou vários improvisos de reggae.
Revitalizado, depois de um período sabático de três anos, Martyn gravou o disco ao longo do verão de 1977. One World foi feito à noite, no refúgio de Blackwell em Berkshire, em meio a amigos e familiares. O engenheiro de som Phill Brown colocou microfones fora da casa e gravou Martyn cantando do outro lado de um lago, captando o ruído ambiente. Com o apoio de músicos experientes como Steve Winwood e Rico Rodriguez, Martyn esculpiu um som etéreo inacreditável, especialmente em “Small Hours”, uma meditação de oito minutos sobre a vida e o amor. O espírito de Perry permeia One World e o lado dub de seu Black Ark Studio influi em boa parte das gravações, em particular em faixas como “Smiling Stranger” e “Big Muff”.
O álbum foi lançado no auge do movimento punk na Inglaterra e a capa traz os símbolos de diferentes culturas envolvidos no rastro de uma sereia. One World é uma obra de arte quase perfeita, um álbum inteligente feito por um hippie inteligente.










