Desde que passou a existir um Bob Dylan, apareceram vários candidatos a Dylan – cantores-compositores inteligentes e afinados que, segundo acreditavam, podiam replicar o sucesso artístico de seu inescrutável ídolo. Mas é óbvio que não vai haver outro Dylan e pobre daqueles que, embora talentosos, são pressionados a isso. John Prine ficou preso a um selo desde cedo em sua carreira e este álbum é um testemunho de seu imenso talento. Mas também mostra como a gravadora não servia para ele.
Ele foi contratado pela Atlantic com a ajuda de Kris Kristofferson. Aos 25 anos, lançou seu álbum de estreia, com fortes cores country, em 1971, quando a Guerra do Vietnã estava no auge. Embora não seja, explicitamente, um disco de protesto, a insatisfação com a guerra é visível, em especial na devastadora “Sam Stone”, uma balada triste sobre a morte de um veterano viciado em morfina; a canção soa ainda mais melancólica na dolorida voz de barítono de Prine. O conflito no Sudeste Asiático também aparece, de forma implícita, em “Your Flag Won’t Get You Into heaven Anymore”, uma música alegre e inovadora, tingida por uma ironia amarga.
Essas duas canções representam os dois estilos de composição mais eficientes de Prine – o da tristeza profunda e o da alegria esfuziante. Quem acha “Sam Stone” a música mais depressiva que já ouviu deve experimentar “Hello In There”, uma faixa dolorosa sobre a velhice. Enquanto isso, “Spanish Pipedream”, de forma divertida, encoraja as pessoas a explodirem seus aparelhos de TV.




