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“África/Brasil” de Jorge Ben

É impossível exagerar a influência de Jorge Ben na heterogênea confederação internacional do funk. Quando fez seu manifesto soul do Rio, África/Brasil, Ben já era uma força musical há mais de uma década, mas esta combinação de percussão de samba, metais R&B, um coro atrevido e uma rhythm guitar hipnótica destila a essência do ritmo de Ben.

O álbum abre arrasador com a incendiária “Umbabarauma”, que David Byrne usou para dar o pontapé inicial em sua antologia Música Popular Brasil. A brilhante mistura feita por Jorge Ben de Sly Stone e James Brown com os ritmos profundos do samba se dá de forma perfeita em “Xica Da Silva”, enquanto o refrão absurdamente contagiante da versão atualizada de “Taj Mahal” torna claro porque Rod Stewart o copiou em seu hit “Do Ya Think I’m Sexy”.

Ben começou sua carreira tocando bossa nova, seguindo os passos de João Gilberto. Ele emplacou um grande sucesso internacional em 1963, com “Mas Que Nada”, mas sua música atingiu seu auge criativo nos anos 70, quando integrou completamente a influência do funk americano e do R&B com a percussão pesada e sincopada dos ritmos afro-brasileiros. Seu poderoso trabalho no violão, a voz quente e íntima e a genialidade da produção resultaram numa série de álbuns excepcionais, culminando com África/Brasil. Embora não tenha sido uma figura central do movimento tropicalista do final dos anos 60, que juntou Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa, a exploração dos temas africanos feita por Ben serviu de inspiração para muitos artistas brasileiros.

Umbabarauma: YouTube Preview Image

Xica Da Silva: YouTube Preview Image

Taj Mahal: YouTube Preview Image

“Gil & Jorge – Ogum Xangô” de Gilberto Gil e Jorge Ben

Gravado depois de um breve ensaio e com apenas dois violões (e um percussionista) no acompanhamento, Gil & Jorge foca os talentos individuais de Gilberto Gil e Jorge Ben como músicos, vocalistas, intérpretes e improvisadores. O disco é uma prova de que eles estão mais do que habilitados para realizar a tarefa.

As nove faixas, todas bem longas (o álbum foi originalmente pensado como duplo), mostram Gil e Ben interagindo em um nível tão esplêndido, e com tamanha empatia, que chegam a criar linhas musicais que se repetem várias vezes.

As faixas mais notáveis – “Nega”, “Taj Mahal” e “Meu Glorioso São Cristóvão” – são extraordinariamente rítmicas e possuem as características contagiantes e tradicionais da música popular brasileira. É quase uma hora e meia passada de forma idílica.

Nega: YouTube Preview Image

Taj Mahal: YouTube Preview Image

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