Depois de quatro álbuns country medianos, ainda que criativos, K.D. Lang resolveu dar um passo mais ousado. Com arranjos e composições de seu parceiro compositor Ben Mink, este “cabaré pós-nuclear”, como a própria K.D. Lang o chamava, desafiando qualquer categorização e sendo ao mesmo tempo pop, tango, swing, lounge ou ainda country alternativo vagamente no estilo de Lyle Lovett foi uma declaração corajosa de uma mulher que finalmente tinha encontrado seu próprio caminho.
Apesar das ocasionais guitarras pedal steel, Lang abandonou oficialmente Nashville – uma cena que lhe rendeu alguns Grammys, mas nunca aceitou inteiramente a sua sexualidade ambígua. Com Ingénue, a cantora e compositora canadense adotou um estilo mais pessoal. “Surely help will arrive soon and cure these self-induced wounds” (“Decerto a ajuda chegará em breve para curar estas feridas auto-infligidas”), cantou Lang em “The Mind Of Love”, expondo-se mais do que em todos os discos anteriores. Desde a fotografia desfocada e intimista usada na capa, de autoria de Glen Erler, até os versos sobre o “grande ímã”que atrai “todas as almas para a verdade” no single de sucesso “Constant Craving”, Ingénue foi um novo começo.
O fato de, três meses depois do lançamento do álbum, Lang ter anunciado publicamente a sua homossexualidade numa entrevista ao jornal canadense The Advocate não prejudicou em nada o sucesso do disco. Para grande alívio de Lang, o público não se importou em saber que músicas tão sensuais como “Wash Me Clean” e “Miss Chatelaine”, desse disco emotivo e absolutamente autobiográfico, fossem inspiradas pelo desejo emotivo e absolutamente autobiográfico, fossem inspiradas pelo desejo por uma mulher casada. Ingénue continuou sendo amado por milhões de ouvintes não só por sua visão musical e pela fantástica interpretação de Lang, mas também por retratar honestamente um conjunto de sentimentos que são universais.










