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“Ingénue” de K.D. Lang (1992)

Depois de quatro álbuns country medianos, ainda que criativos, K.D. Lang resolveu dar um passo mais ousado. Com arranjos e composições de seu parceiro compositor Ben Mink, este “cabaré pós-nuclear”, como a própria K.D. Lang o chamava, desafiando qualquer categorização e sendo ao mesmo tempo pop, tango, swing, lounge ou ainda country alternativo vagamente no estilo de Lyle Lovett foi uma declaração corajosa de uma mulher que finalmente tinha encontrado seu próprio caminho.

Apesar das ocasionais guitarras pedal steel, Lang abandonou oficialmente Nashville – uma cena que lhe rendeu alguns Grammys, mas nunca aceitou inteiramente a sua sexualidade ambígua. Com Ingénue, a cantora e compositora canadense adotou um estilo mais pessoal. “Surely help will arrive soon and cure these self-induced wounds” (“Decerto a ajuda chegará em breve para curar estas feridas auto-infligidas”), cantou Lang em “The Mind Of Love”, expondo-se mais do que em todos os discos anteriores. Desde a fotografia desfocada e intimista usada na capa, de autoria de Glen Erler, até os versos sobre o “grande ímã”que atrai “todas as almas para a verdade” no single de sucesso “Constant Craving”, Ingénue foi um novo começo.

O fato de, três meses depois do lançamento do álbum, Lang ter anunciado publicamente a sua homossexualidade numa entrevista ao jornal canadense The Advocate não prejudicou em nada o sucesso do disco. Para grande alívio de Lang, o público não se importou em saber que músicas tão sensuais como “Wash Me Clean” e “Miss Chatelaine”, desse disco emotivo e absolutamente autobiográfico, fossem inspiradas pelo desejo emotivo e absolutamente autobiográfico, fossem inspiradas pelo desejo por uma mulher casada. Ingénue continuou sendo amado por milhões de ouvintes não só por sua visão musical e pela fantástica interpretação de Lang, mas também por retratar honestamente um conjunto de sentimentos que são universais.

The Mind Of Love: YouTube Preview Image

Constant Craving: YouTube Preview Image

Wash Me Clean: YouTube Preview Image

Miss Chatelaine: YouTube Preview Image

Save Me: YouTube Preview Image

Outside Myself: YouTube Preview Image

“Shadowland” de K.D. Lang (1988)

Com o seu primeiro álbum de 1987, Angel With A Lariat, K.D. Lang tinha gerado mais estranhamento do que vendas. As pessoas simplesmente não sabiam o que fazer com seu visual andrógino e suas interpretações camp da música country, que pareciam mais adequadas a uma estação de rádio universitária do que à programação de rádios dominadas por artistas como George Strait e Alabama.

Owen Bradley certamente ficou intrigado. Bradley era um produtor conhecido por seu trabalho nos discos de Patsy Cline, talvez a maior influência de K.D. Lang. Bradley decidiu abandonar a sua aposentadoria para comandar as sessões de gravação de Shadowland em Nashville. Tomou controle total do estúdio, extirpando todo o humor e o estilo honky-tonk que marcava o trabalho de estreia, colocando em seu lugar uma mistura exuberante de pop e country que era perfeita para a voz da cantora.

O álbum abre com uma dupla de baladas magníficas, “Western Stars” e “Lock, Stock And Teardrops”, passando com tranquilidade pelos lamentos acompanhados de saxofone de “Busy Being Blue” até a alegre “Don’t Let The Stars Get In Your Eyes”. Shadowland termina com “Honky Tonk Angel’s Medley”, em que Lang colabora com um trio vocal formidável formado por Brenda Lee, Loretta Lynn e Kitty Wells. Segundo Bradley, faltou apenas a voz de Patsy Cline.

Shadowland tornou-se popular tanto entre os críticos quanto entre os fãs, embora tenha demorado três anos para conseguir se tornar disco de ouro. A cantora gravaria mais um álbum country, Absolute Torch And Twang, de 1989, antes de se converter em cantora pop com o sucesso do álbum Ingénue.

Western Stars: YouTube Preview Image

Don’t Let The Stars Get In Your Eyes: YouTube Preview Image

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