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“The Sensual World” de Kate Bush (1989)

Hounds Of Love, de 1985, foi o último testemunho da sensibilidade adolescente de Kate Bush. The Sensual World serviu como um sinal de amadurecimento. Aos 30 anos, gravou aquele que é, até à data, o seu álbum mais sólido e maduro. Reconheceu a sua herança irlandesa, inspirou-se nos instrumentos típicos da música celta e – ao menos na faixa-título – na personagem mais sensual de James Joyce: Molly Bloom. Há também uma grande influência folk, em parte devido ao seu irmão Paddy, fão de música étnica. Foi ele, aliás, quem a apresentou às cantoras búlgaras do Trio Bulgarka que colaboram no disco. Michael Nyman fez o arranjo de cordas de “Reaching Out”; Nigel Kennedy participou de “The Fog” e “heads We’re Dancing”; Dave Gilmour toca em “Love And Anger” e “Rocket’s Tail”. Até mesmo o seu pai, creditado como Dr. Bush, participou com sua voz no diálogo de “The Fog”, música em que um pai ensina seus filhos a nadar – o simbolismo é quase óbvio. (O CD contém uma faixa adicional, “Walk Straight Down The Middle”).

Os que gostavam do seu som adolescente e etéreo talvez quisessem que ela permanecesse jovem para sempre e podem não ter gostado deste trabalho, mas Kate segue um novo caminho, entrando numa era em que as influências globais andam de mãos dadas com o conhecimento tecnológico. Há também uma qualidade nítida de sexualidade feminina neste disco, assim como uma tentativa de atingir um público mais amplo: em The Sensual World ela canta como uma artista completa, preparada para o sucesso internacional.

The Sensual World: YouTube Preview Image

Reaching Out: YouTube Preview Image

The Fog: YouTube Preview Image

Heads We’re Dancing: YouTube Preview Image

Love And Anger: YouTube Preview Image

Rocket’s Tail: YouTube Preview Image

Deeper Understanding: YouTube Preview Image

“Hounds Of Love” de Kate Bush (1985)

Magoada com os ataques feitos a The Dreaming, de 1982, Kate Bush refugiou-se no estúdio. Diz a lenda que ela teria engordado muito, mas reapareceu em 1985 mais bonita do que nunca, apresentando um trabalho tão épico e louco quanto o seu antecessor, mas com músicas melhores e vendas ainda maiores.

O primeiro fruto foi “Running Up That Hill”, um miniépico que se tornou o seu maior sucesso internacional. Tendo finalmente se tornado uma estrela – ou quase – nos Estados Unidos, serviu de inspiração para Tori Amos e Prince. Este último ficou fascinado por “Cloudbusting”, uma das belas peças de xadrez que compõem a metade Hounds do álbum. O extraordinário vídeo que acompanha a música conta com a participação de Donald Sutherland – protagonista de Um Inverno de Sangue Em Veneza, um dos filmes que inspiraram Kate Bush (em outra referência cinematográfica, a faixa-título começa com uma fala de A Noite do Demônio, de Jacques Tourneur).

A segunda metade, cinematográfica, é The Ninth Wave. Inspirada em um poema de Tennyson – The Coming Of Arthur e não The Holly Grail, como está escrito no encarte -, oscila entre baladas e músicas dançantes (o álbum tem poucas guitarras, com Youth, o baixista do Killing Joke, dando o tom mais roqueiro em “The Big Sky”). A história mostra nossa heroína sozinha na água, no meio de um pesadelo, encontrando um caçador de bruxas, imaginando uma pessoa amada em casa e sendo visitada por uma versão futura de si mesma antes de ser salva.

A capa – uma fotografia de seu irmão John, que também escreveu o poema de “Jig Of Life” – evoca as duas metades do álbum e completa esta criação tão fascinante quanto fabulosa. Hounds Of Love é o álbum de Kate Bush que é possível adorar mesmo sem ser um fã.

Running Up That Hill: YouTube Preview Image

Cloudbusting: YouTube Preview Image

The Big Sky: YouTube Preview Image

Jig Of Life: YouTube Preview Image

Watching You Without Me: YouTube Preview Image

“The Dreaming” de Kate Bush (1982)

Quando perdem o rumo, algumas jovens estrelas do pop se entregam às drogas, morrem ou, pior ainda, apaixonam-se por Fred Durst (o vocalista do Limp Bizkit). Quatro anos depois da sua brilhante revelação com “Wuthering Heights”, aos 19 anos, a inglesa Kate Bush canalizou os seus demônios para um álbum brilhante e inquietante.

A agitada “Sat In Your Lap” – aparentemente inspirada em Stevie Wonder – é apenas o começo. Ainda viriam lembranças sinistras do Vietnã destroçado pela guerra (“Pull Out The Pin”) e dos aborígenes australianos (“The Dreaming”). Ainda temos “There Goes A Tenner”, tão estranha que é seu único single que não entrou nas paradas de sucesso inglesas, e o fechamento do disco, com a tristonha “Get Out Of My House”, inspirada em jornalistas intrometidos e no filme O Iluminado.

Mas há também beleza em meio ao horror. “Suspended In Gaffa” é comovente, ainda que seja impossível descobrir do que se trata (aparentemente é sobre objetivos inatingíveis). “Night Of The Swallow” é uma balada irlandesa extremamente bela e “Houdini” desperta simpatia pelo protagonista há muito falecido (o mágico aparece na ilustração da capa, onde Kate o segura com um beijo).

Na época, The Dreaming foi um fracasso. “Este foi o meu disco estilo ‘está completamente louca’, meu disco ‘ela não é mais comercial’”, admitiu Kate, anos depois. Hoje está alinhado com uma série de excentricidades que vão de Pink Floyd a Tricky (que cita Bush como uma de suas influências). E sua bateria trovejante é idêntica à dos Nine Inch Nails. “Leave It Open” encerra o disco com um verso cantado de trás para frente (essa é Kate Bush, afinal de contas): “We let the weirdness in” (“Nós deixamos entrar a estranheza”). Por favor, façam o mesmo.

Sat In Your Lap: YouTube Preview Image

Pull Out The Pin: YouTube Preview Image

The Dreaming: YouTube Preview Image

There Goes A Tenner: YouTube Preview Image

Get Out Of My House: YouTube Preview Image

Suspended In Gaffa: YouTube Preview Image

Night Of The Swallow: YouTube Preview Image

Houdini: YouTube Preview Image

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