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“Kenza” de Khaled (1999)

Khaled é o rei da Rai, ainda que essa música tenha evoluído a partir das músicas beduínas cantadas por mulheres “fora-da-lei” nos anos 20, em Oran, na Argélia. Nascido em 1960 no povoado vizinho de Sidi-El-Houri, quando Khaled gravou a sua primeira música, aos 16 anos, já era um talentoso vocalista e acordeonista, apaixonado pela música egípcia, espanhola e francesa, assim como pelos Beatles, James Brown e Bob Marley. Adorado pelos jovens mas detestado pelo governo egípcio devido às suas músicas sobre paixão e desejo, mudou-se para França em 1986 e, no início dos anos 90, já tinha transformado a Rai numa música internacionalmente conhecida, com sucessos dançantes como “Didi”, produzido por Don Was, ou o sucesso radiofônico “Aicha”.

A partir de então ocorreu uma autêntica revolução na música magrebina na França. Artistas como Rachid Taha, Faudel, Gnawa Diffusion ou a Orchestre National de Barbes vieram questionar o direito de Khaled de ocupar a liderança que tinha conquistado. Ele respondeu com esta obra impressionante, que constituiu uma contribuição definitiva e única, inspirada pelos novos talentos.

Kenza é uma viagem épica de tais proporções que pode se dar ao luxo de conter alguns momentos menores, mas não há dúvida de que o rei está aqui para retomar a sua coroa dos pretendentes ao trono. Com uma ajuda na produção do colaborador de Rachid Taha, Steve Hillage, e também de Lati Kronlund, do Brooklyn Funk Essential – uma espécie de Gil Evans do funk de big band -, a perfeição da sua poderosa voz oferece-nos uma visão rica do Norte da África, que se estende para leste, rumo ao subcontinente indiano, e para oeste, para Cuba e Nova York, recebendo influência do funk, do reggae e da música árabe.

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