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“The Man-Machine” do Kraftwerk (1978)

O criativo projeto artístico do Kraftwerk deu uma guinada conceitual em The Man-Machine. A capa simbólica fazia referência ao modernista russo El Lissitzky e as músicas falavam de um mundo cada vez mais autômato de alienação urbana, de engenharia da era espacial e de fama sem glamour.

Essa visão futurista da fusão da humanidade com a tecnologia está presente tanto na faixa-título como em “The Robots”, outra piada em cima da imagem androide da banda. Para o lançamento do álbum, o quarteto de Düsseldorf encomendou robôs iguaizinhos a seus integrantes, que passaram a ser acessórios permanentes dos shows. O uso de vozes sintéticas se tornaria uma característica do som sempre em evolução do Kraftwerk. Mas The Man-Machine também contém algumas das canções mais atemporais da banda. Acentuada pelos vocais melancólicos de Ralf Hütter, “Neon Lights” é uma música dolorosamente romântica, enquanto “The Model” é uma sátira à indústria da beleza, tão à frente de seu tempo que chegou ao primeiro lugar das paradas inglesas três anos após o lançamento do disco. Esse retrato profético da cultura da celebridade se tornou um cartão de visitas do Kraftwerk e inspirou gerações de artistas – dos pioneiros do techno-pop dos anos 80, como Human League, New Order, Pet Shop Boys e Depeche Mode ao movimento “electroclash”.

A grande conquista de The Man-Machine não é apenas a influência que exerceu, mas sua capacidade de síntese. Um exame minucioso das faixas revela variações de minutos nos temas percussivos repetitivos e há uma interação quase clássica entre as partes de sintetizador. Em seu sétimo álbum, o Kraftwerk provou que o poder da música eletrônica não estava em truques elaborados, mas na simplicidade zen do domínio científico.

The Man Machine: YouTube Preview Image

The Robots: YouTube Preview Image

Neon Lights: YouTube Preview Image

The Model: YouTube Preview Image

Metropolis: YouTube Preview Image

“Trans-Europe Express” do Kraftwerk

Um fascinante retrato de elegância e decadência, viagem e tecnologia, Trans-Europe Express é a celebração atualizada do passado romântico da Europa e de seu futuro incerto. A maravilhosa visão panorâmica de “Europe Endless” define o disco, enquanto o senso de humor negro do Kraftwerk, nem sempre reconhecido, surge em “Showroom Dummies”, uma resposta oblíqua aos que criticavam sua imagem de uma banda sem emoção. Há ainda uma rara incursão ao macabro na comédia lúgubre de “Hall Of Mirrors”.

Nesse período, David Bowie fazia parte do exército de fãs famosos do Kraftwerk e homenageou o grupo no clássico álbum Heroes, de sua fase em Berlim. Ralf Hütter e Florian Schneider retribuíram o favor citando Bowie e Iggy Pop na faixa-título de Trans-Europe Express, uma locomotiva com um ritmo incansável, impulsionada por pistons, que imita o som de um trem correndo pelos trilhos numa intensidade quase trance.

O sexto álbum do Kraftwerk, com sua utilização inovadora de uma então primitiva tecnologia de sequenciador, ajudou a moldar o espaço musical que preencheu o vácuo depois do punk rock, atraindo para a música eletrônica toda uma nova geração de consumidores. “Metal On Metal”, com seu som de metais se chocando, e a faixa irmã “Trans-Europe Express” foram uma influência-chave para o hip hop e para a música eletrônica e industrial. O DJ Afrika Bambaataa sampleou essas batidas e as melodias com os movimentos eletrônicos e da dance music para fazer “Planet Rock”, um hit do hip hop, de 1982. Mais uma vez o som do Kraftwerk estava muito além de seu tempo.

Trans-Europe Express: YouTube Preview Image

Europe Endless: YouTube Preview Image

Showroom Dummies: YouTube Preview Image

Hall Of Mirrors: YouTube Preview Image

Metal On Metal: YouTube Preview Image

“Autobahn” do Kraftwerk

Apesar de ser o quarto álbum do Kraftwerk, Autobahn é considerado o verdadeiro ponto de partida da banda. Ralf Hütter e Florian Schneider tinham se conhecido em 1968 e formado o grupo – e seu estúdio eletrônico experimental Kling Klang – no início de 1970.

Depois de anos tocando no circuito universitário, em clubes e galerias de arte, onde aperfeiçoaram sua música, Ralf Hütter e Florian Schneider compuseram e gravaram a faixa-título, “Autobahn” – uma sinfonia à base de sintetizadores -, numa parceria com o poeta e pintor Emil Schult. Inspirada pelas longas viagens nas auto-estradas alemãs, a música marcou a separação definitiva da banda de seus colegas de Krautrock.

Em Autobahn, com a participação dos percussionistas Wolfgang Flür e Karl Bartos, Hütter e Schneider cristalizaram o som primitivo e a imagem fria que caracterizaram o Kraftwerk. O álbum contém obras sublimes da “Electronic-Volks-Musik”, como as faixas “Mitternacht”, “Morgenspaziergang” e “Kometenmelodie”, mas foi a faixa-título que se tornou o símbolo da carreira internacional do Kraftwerk.

O álbum foi sucesso nos Estados Unidos e na Europa e virou um marco do pop minimalista de vanguarda. Como disse Ralf Hütter, em 2003: “Em Autobahn, nós colocamos barulho de carros, metais, melodias básicas e motores afinados. Ajustamos a suspensão e a pressão dos pneus, rolamos pelo asfalto e usamos aquele som intermitente quando as rodas passam por cima das faixas. É uma poesia sonora, muito dinâmica”.

Autobahn é cinema para os ouvidos.

Autobahn: YouTube Preview Image

Mitternacht: YouTube Preview Image

Morgenspaziergang: YouTube Preview Image

Kometenmelodie 1: YouTube Preview Image

Kometenmelodie 2: YouTube Preview Image

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