Como braço musical do coletivo artístico Neue Slowenische Kunst, sediado em Ljubljana, a capital da república eslovena na antiga Iugoslávia, o fato de o Laibach ter adotado o antigo nome alemão da cidade era uma provocação às autoridades comunistas durante o domínio sérvio. Uma aparição conflituosa no programa TV Tednik (A Semana na TV) em 1983 fez com que o apresentador exigisse o linchamento político do grupo.
Uma versão em alemão de “One Vision, do queen, intitulada “Geburt Einer Nation”, ajuda a explicar a visão que o grupo tinha da cultura popular, ao dizerem que: “Se você entende o Queen / entende o totalitarismo”. Ainda assim, a junção de ritmos industriais brutais com floreados sinfônicos wagnerianos, somados à interpretação gutural (e deliberadamente exagerada) do magnífico cantor Milan Frez, fez com que muitos concluíssem que tanto “Geburt Einer Nation” quanto a versão funesta do sucesso europop “Life Is Life”, intitulado “Leben Heisst Leben”, indicavam que o Laibach estava sobretudo criando paródias irônicas.
A música “Opus Dei” soa mais sinistra e parece uma chamada às armas, descrevendo a crise política que se abateria sobre a Iugoslávia. Sem dúvida, “F.I.A.T.” e “How The West Was Won” predizem as conturbações políticas que varreriam a Europa dois anos mais tarde. Contudo, o discurso de Winston Churchill ao final de “The Great Seal” nos faz questionar se a Europa comunista iria se beneficiar dos valores ocidentais. O sucesso de Opus Dei encerrou o período de quatro anos durante o qual o grupo ficou proibido de atuar em seu próprio país.






