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“Pictures At An Exhibition” de Emerson, Lake And Palmer

Sempre dispostos a uma entrada triunfal, Emerson, Lake And Palmer estrearam sua versão rock da obra clássica do compositor russo Modeste Mussorgsky no festival da Ilha de Wight, em 1970, no primeiro autêntico show do grupo.

A capa de William Neal tem um efeito um tanto tranquilizador – uma série de molduras vazias numa galeria -, totalmente em desacordo com o impacto da música. É ainda mais digno de nota o trabalho de Emerson no sintetizador Moog, uma inovação raramente encontrada fora do estúdio, por causa da imprevisibilidade do equipamento e porque muitas bandas não o consideravam um “instrumento de verdade”.

Por ironia, o destaque do disco é uma composição de Lake, “The Sage”, programada para outro álbum, mas que se adequou perfeitamente ao clima do show. Essa faixa contém sua melhor gravação ao vivo tocando violão. Por outro lado, “The Hut Of Baba Yaga” mostra Emerson aumentando a velocidade da música no órgão Hammond, com um encorpado trabalho no Moog. Ele muda para um piano boogie-woogie no pastiche de Tchaikovsky feito por B. Bumble And The Stinger, em 1961, chamado “Nut Rocker”, e conclui com um estrondo irreverente.

Pictures At An Exhibition foi lançado nos Estados Unidos apenas depois que os níveis de importação do álbum tinham se tornado inacreditáveis – e, com isso, o disco foi para o 10o lugar na parada da Billboard. Com este álbum, o grupo entrou pela terceira vez em um ano entre os três mais vendidos da Inglaterra, e produziu um som devastador, nos moldes da banda anterior de Keith Emerson, The Nice. Para o bem ou para o mal, uma trilha havia sido aberta.

The Sage: YouTube Preview Image

The Hut Of Baba Yaga: YouTube Preview Image

Nut Rocker: YouTube Preview Image

“Tarkus” de Emerson, Lake And Palmer

Enquanto a Conferência Internacional sobre Crimes de Guerra acontecia em Oslo, em junho de 1971, o Emerson, Lake And Palmer lançava seu segundo disco: um libelo contra a futilidade da guerra – a capa mostra um tanque-tatu.

O tecladista Keith Emerson, o cantor e baixista Greg Lake e o baterista Carl Palmer começaram a trabalhar em janeiro no conceito criado por Emerson durante uma turnê, parcialmente inspirado pelo compositor argentino Alberto Ginastera e gravado em seis dias de fevereiro.

“Carl estava muito confuso com os diferentes compassos”, contou Emerson à Contemporary Keyboard. “Ele me disse que gostaria de fazer algo em 5/4 e eu falei que trabalharia com essa ideia. Comecei a compor Tarkus a partir daí. Greg não tinha muita certeza de que daria certo. Era muito esquisito. Mas concordou em tentar e, mais tarde, adorou a experiência”.

A obra-prima de abertura é marcada por cargas de teclado estridente e percussão ressonante entre “Tarkus” e três temas adversários – o meditativo “Stones of Years”, o embromador “Iconclast” e o mal-humorado “Mass” – antes da derrota para o malvado “Manticore” da mitologia persa (como dão a entender o órgão de catedral e a bateria com phaser).

Essas batalhas deixam o flanco aberto para “Eruption” – os sintetizadores Moog e Hammond de Emerson têm o reforço dos golpes explosivos de Palmer – e para a sublime “Battlefield” e o dramático “Aquatarkus”. O lado B traz um certo alívio com o honky tonk de “Jeremy Bender” e o rock ‘n’ roll de “Are You Ready Eddy?” (escrita para o engenheiro de som Eddie Offord). “Bitches Crystal” e “Infinite Space” são um passeio pelo jazz, enquanto “The Only Way” – um barroco bachiano – questiona a religião.

Este álbum define a grandiosidade do rock progressivo.

Tarkus: YouTube Preview Image

Bitches Crystal: YouTube Preview Image

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