A expectativa estava matando todos. Paul Daley e Neil Barnes tinham estabelecido fundações sólidas para a música dance britânica com a formidável “Open Up”, de 1993, uma colaboração estrondosa com John Lydon, para depois desaparecerem da cena musical. Quinze meses depois as coisas ficaram bem claras. Será este o melhor álbum de dance da história? Talvez. É, sem dúvida, o mais inteligente. Leftism tem um ritmo estupendo. “Black Flute” é a primeira música em que o tempo aumenta de forma significativa. A primeira meia hora é passada em espaços escuros (“Release The Pressure”), criando sons que deixam qualquer um impressionado (“Melt”) e arrebentando a caixa torácica do ouvinte com linhas de baixo arrasadoras (“Original”). A capa do álbum – um cone de alto-falante imprensando por uma mandíbula de tubarão – é uma declaração de intenções.
Depois de seduzi-lo, a dupla decide que chegou o momento de subjugá-lo. A monumental “Space Shanty” consegue isso sem um mínimo de esforço – sete minutos de pura loucura só igualados poe “Voodoo People”, do Prodigy, dentro do gênero. Depois de alcançar tamanha intensidade, artistas com menos talento teriam apenas aumentado o andamento, mas “Inspecxtion (Check One)” demonstrou que a invenção é tão eficaz quanto a aceleração. Então, depois da supracitada “Open Up”, acabamos onde começamos, com músicas mais calmas e demonstrando consciência social. É a vez de “21st Century Poem”, embebido na raiva tranquila do poeta de Manchester, Lemn Sissay. Leftism foi candidato ao Mercury Music Prize inglês. O fato de ter perdido para Dummy, do Portishead – trabalho igualmente revolucionário -, não significa que não tenha restaurado a fé na música dance: Leftfield salvou o gênero.









