Qualquer fã irá afirmar que Leonard Cohen é um dos letristas mais talentosos da música moderna. Nascido em Montreal, Cohen já era um aclamado poeta e escritor muito antes de começar a gravar músicas profissionalmente aos trinta e poucos anos. A sua imortal “Suzanne” tanto podia ser encontrada em aulas de poesia quanto em lojas de discos.
I’m Your Man é um dos momentos de destaque em sua longa carreira. O álbum apresenta uma instrumentação mais moderna do que a dos anteriores, incluindo sintetizadores e baterias eletrônicas. Na maior parte do tempo, essa abordagem é bem sucedida ao projetar a sua música para o futuro (“First We Take Manhattan”), apesar de algumas faixas terem se tornado datadas com o tempo (“Jazz Police”).
Ainda assim, como na maioria dos álbuns de Cohen, podemos encontrar algumas obras-primas. A faixa-título é uma declaração de amor eterno com uma ironia fina – “If you want a doctor / I’ll examine every inch of you” (“Se você quer um médico / Vou examinar cada centímetro seu”). Essa ironia permeia todo o álbum, cheio de humor sutil, como demonstra a capa, na qual Cohen aparece comendo uma banana.
“Everybody Knows” é uma despedida cômica e cínica à revolução sexual frente aos perigos das doenças sexualmente transmissíveis – “There is gonna be a meter on your bed that will disclose / What everybody knows” (“Sua cama terá um medidor que vai revelar / O que todos já sabem”). O ritmo simples de guitarra em “I Can’t Forget” enfatiza a letra de Cohen “The summer’s almost gonne / The winter is tuning up” (“O verão em breve se vai / O inverno se prepara”). E a voz aveludada de Jennifer Warnes fazendo como em “Tower Of Song” é um momento encantador na última música do disco.























