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“I’m Your Man” de Leonard Cohen (1988)

Qualquer fã irá afirmar que Leonard Cohen é um dos letristas mais talentosos da música moderna. Nascido em Montreal, Cohen já era um aclamado poeta e escritor muito antes de começar a gravar músicas profissionalmente aos trinta e poucos anos. A sua imortal “Suzanne” tanto podia ser encontrada em aulas de poesia quanto em lojas de discos.

I’m Your Man é um dos momentos de destaque em sua longa carreira. O álbum apresenta uma instrumentação mais moderna do que a dos anteriores, incluindo sintetizadores e baterias eletrônicas. Na maior parte do tempo, essa abordagem é bem sucedida ao projetar a sua música para o futuro (“First We Take Manhattan”), apesar de algumas faixas terem se tornado datadas com o tempo (“Jazz Police”).

Ainda assim, como na maioria dos álbuns de Cohen, podemos encontrar algumas obras-primas. A faixa-título é uma declaração de amor eterno com uma ironia fina – “If you want a doctor / I’ll examine every inch of you” (“Se você quer um médico / Vou examinar cada centímetro seu”). Essa ironia permeia todo o álbum, cheio de humor sutil, como demonstra a capa, na qual Cohen aparece comendo uma banana.

“Everybody Knows” é uma despedida cômica e cínica à revolução sexual frente aos perigos das doenças sexualmente transmissíveis – “There is gonna be a meter on your bed that will disclose / What everybody knows” (“Sua cama terá um medidor que vai revelar / O que todos já sabem”). O ritmo simples de guitarra em “I Can’t Forget” enfatiza a letra de Cohen “The summer’s almost gonne / The winter is tuning up” (“O verão em breve se vai / O inverno se prepara”). E a voz aveludada de Jennifer Warnes fazendo como em “Tower Of Song” é um momento encantador na última música do disco.

First We Take Manhattan: YouTube Preview Image

Jazz Police: YouTube Preview Image

I’m Your Man: YouTube Preview Image

Everybody Knows: YouTube Preview Image

I Can’t Forget: YouTube Preview Image

Tower Of Song: YouTube Preview Image

“Songs Of Love And Hate” de Leonard Cohen

Os fracos de coração deviam ter medo de conhecer o repertório de Leonard Cohen – em especial, o de Songs Of Love And Hate, uma coleção fascinante de feridas abertas, desprezo constante e amor febril, que se situa entre seus trabalhos mais intensos. A linha entre amor e ódio raras vezes soou tão frágil.

As canções se desenrolam como pequenos contos ou poemas, o que faz sentido, considerando-se o passado de Cohen. Ele já tinha escrito dois romances e era um poeta conhecido muito antes de se tornar um darling do movimento folk e ganhar uma gravadora. Seus dois primeiros álbuns pela Columbia foram aclamados pela crítica e obtiveram um retorno comercial morno. Sua interpretação monocórdia e as letras ricamente literárias fizeram com que fosse visto como uma resposta do Canadá a Bob Dylan. Mas ele mostrou que tinha personalidade própria neste álbum.

A mistura dramática de folk e pop do artista é captada com perfeição, a começar pelo violão que se funde ao suave arranjo de cordas na dolorosa “Avalanche”. O clima continua em “Diamonds In The Mine”, com seus refrões queixosos sobre lindas harmonias vocais femininas. O amor é um campo de batalha e Cohen, de forma apropriada, batizou sua banda de apoio como “The Army”. Mas os melhores momentos do álbum são quando Cohen canta sozinho músicas melancólicas como “Last Year’s Man” e “Joan Of Arc”.

Avalanche: YouTube Preview Image

Diamonds In The Mine: YouTube Preview Image

Last Year’s Man: YouTube Preview Image

Joan Of Arc: YouTube Preview Image

“Songs From A Room” de Leonard Cohen

O departamento de artistis and repertoir (A&R) da Columbia não esperava que Leonard Cohen se tornasse um ídolo popular ao contratá-lo, mas, depois que seu álbum de estreia, The Songs Of Leonard Cohen, de 1968, vendeu mais de 100 mil cópias, essa estrela sem igual estava firmemente cravada no céu. A um universo de distância dos músicos que davam plantão na gravadora, ele já estava entrando nos 30 anos quando o sucesso chegou – antes, havia passado mais de uma década escrevendo poesia e romances.

Neste seu segundo álbum, Songs From A Room, Cohen se retirou ainda mais para o mundo da melancolia que caracterizava seu trabalho. Enquanto seu disco anterior incluía destaques como “Suzanne” (originalmente, um hit folk de Judy Collins, de 1966) e “So Long Marianne”, este LP baixava o tom.

Cohen elaborou uma coleção de temas narrativos que alavancavam sua pretensão de ser um rival para Bob Dylan no papel de trovador. Ao longo das dez faixas, ele medita sobre a natureza da amizade e dos relacionamentos mais íntimos – “The Partisan”, uma canção escrita durante a Segunda Guerra Mundial, disseca a ligação patriótica com o país, enquanto “The Butcher” examina a relação entre pais e filhos.

Há também um certo grau de fastio romântico. “Tonight will be fine”, canta o canadense no refrão da faixa final, embora tenha acrescentado a réplica: “for a while”. Nancy, uma antiga musa, é detratada em “Seems So Long Ago, Nancy”, em que ele insinua a suposta promiscuidade da amada.

Embora não tenha sido um sucesso comercial – um padrão, aliás, mantido com regularidade até I’m Your Man -, este tributo ao desânimo é uma inspiração para o misantropo que existe em cada um.

The Partisan: YouTube Preview Image

The Butcher: YouTube Preview Image

Seems So Long Ago, Nancy: YouTube Preview Image

Bird On The Wire: YouTube Preview Image

Story Of Isaac: YouTube Preview Image

Lady Midnight: YouTube Preview Image

“The Songs Of Leonard Cohen” de Leonard Cohen

O ofício de compor e cantar mudou para sempre depois que o canadense Leonard Cohen, um laureado poeta da angústia (angst), lançou seu álbum de estreia. O ano de 1968 testemunhou Cohen colocar seus versos em acordes menores e reinventar a melancolia. A capa mostra o poeta muito sério, aos trinta e poucos anos: um reflexo da estética minimalista de sua música. As canções são pouco mais do que voz e guitarra, forçando a atenção para os jogos de palavras e a maneira ao mesmo tempo doce e amarga como ele os canta.

Faixas como “Teachers” e “So Long, Marianne” pintam um quadro tão pungente dos males do amor e da solidão que o ouvinte sofre junto, enquanto “Suzanne” vem embalada de simbolismo e sentimento religiosos (o sucesso da gravação de Judy Collins foi o que fez Cohen querer tentar sua própria versão).

Apesar de terem sido lançadas poucas cópias, o álbum foi um sucesso. No ano seguinte, vendeu mais de 100 mil exemplares, o maior êxito comercial de Cohen até seu revival, no final dos anos 80.

Apesar de os discos posteriores não terem sido tão bem recebidos como este, o legado da estreia de Cohen continuou vivo. O grupo The Sisters Of Mercy, padrinho do gótico, adotou o nome de uma de suas músicas, enquanto “Suzanne” foi parodiada por Randy Newman (em 12 Songs) e relida pelo R.E.M. (foi lançada com o nome de “Hope” no disco Up). Outros artistas, como Jeff Buckley, foram influenciados e inspirados por ele, apresentando The Songos Of Leonard Cohen às novas gerações de amantes da música.

Teachers: YouTube Preview Image

So Long, Marianne: YouTube Preview Image

Suzanne: YouTube Preview Image

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