Se Clube Da Esquina fosse apenas a resposta brasileira a Sgt. Pepper já se destacaria como uma importante contribuição ao pop internacional. Mas esta magnífica coleção de canções, lançada originalmente como um álbum duplo, também transformou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta em artistas de sucesso pelo seu próprio talento.
Embora Milton Nascimento – um cantor carismático com um falsete puro e cheio de espiritualidade – seja o centro de gravidade do álbum, ele ainda não era uma grande estrela, e Clube Da Esquina é muito mais um trabalho de grupo, co-creditado também a Borges. O disco mistura sons oníricos, letras surrealistas e uma ampla variedade de influências sul-americanas. É um marco da música popular que abriu as portas da criação para outros artistas.
O Clube da Esquina era um grupo de amigos de Belo Horizonte (MG). Eles passaram seis meses, em 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói (RJ), compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O álbum contém uma série de clássicos, como “Cravo E Canela” e “Nada Será Como Antes”. A influência dos Beatles é particularmente forte no “rock mineiro” de Lô Borges, em faixas como “O Trem Azul” e “Nuvem Cigana”, músicas delicadas, cheias de encanto e sutilezas.





