Em 1973, o Lynyrd Skynyrd surgiu dos pântanos da Flórida como se fosse um filho indesejado do novo Sul dos Estados Unidos, uma cultura ao mesmo tempo arrependida e desafiadora de sua herança maculada. Quando gravou seu álbum de estreia, o Lynyrd Skynyrd já estava afiado no som ágil, embalado por frango frito dos bares e espeluncas de Dixieland, juntando, pelo caminho, um trio de guitarras ferozes, para complementar uma seção rítmica bem-ajustada e a voz poderosa de Ronnie Van Zant. O mais importante, porém, neste álbum – e para as incontáveis bandas que se inspiraram nele – eram as ambiguidades que diferenciavam o grupo. Os integrantes da banda pareciam confederados truculentos, mas sua música tinha o toque dos imigrantes negros. Pronounced Leh-nerd Skin-nerd exibia e também desafiava os estereótipos dos sulistas e a banda se tornou a primeira manifestação verdadeira do rock do Sul.
Com um pouco de blues, um pouco de country e um pouco de The Who, o disco mostra o melhor dos riffs do rock na bombástica música de abertura, “I Ain’t The One”, e na advertência de “Poison Whiskey”. Se os rivais Allman Brothers tinham se aventurado pelo jazz num estilo hippie, o Lynyrd Skynyrd apresentava o mesmo virtuosismo, mas ancorado no blues. A acústica “Mississippi Kid” é um boogie do Delta e “Things Goin’ On” soa familiar, como se fosse tocada no bar vizinho.
E há “Freebird”, um fecho de tirar o fôlego, que transformou a banda em celebridade e colocou o álbum nas paradas. Meditativa, frágil, rica e comovente, essa música é uma lição de rock em nove minutos, incluindo uma divertida explosão de guitarra raramente vista até então, e mesmo desde então.







