É possível que um músico de formação clássica triunfe no mundo da música de garagem da Inglaterra? Em poucas palavras, sim. Apesar de Matt Coleman, também conhecido como M.J. Cole, ter entrado no meio musical como técnico de som de alguns dos principais nomes do drum ‘n’ bass, ele também sabe criar ritmos mais pesados.
A musicalidade de Cole é o que brilha neste álbum, lançado depois que o seu single de estreia “Sincere” havia se tornado a primeira música de garagem a alcançar o topo das paradas na Inglaterra. A insistência de Cole em trabalhar apenas com instrumentos não-eletrônicos explica porque o disco demorou três anos para ficar pronto. O tom do trabalho é dado logo na introdução: um piano exuberante rapidamente dá espaço a uma linha de baixo agressiva. Ao longo das faixas, Cole transita por músicas próximas ao estilo soul com instrumentações exuberantes e outras que são exercícios com breakbeats, baixo samples retorcidos. É uma tentativa de construir a ponte entre suas raízes de garagem e o lado cool dos clubes – na capa isso está representado por uma sacola de grife estampada com M.J. Cole no lugar do nome da loja.
Uma equipe de excelentes colaboradores dá vida ao álbum. Elisabeth Troy traz a sua voz cheia de sentimentos com matizes soul na melodia de “Crazy Love” e também faz vocais delicados no ritmo lento e samples alterados de “I See”. Nova Caspar e Jay Dee acrescentam vozes potentes aos fortes sentimentos de “Sincere”, enquanto Concept Noir leva “Rough Out Here” para uma jornada ao estilo de Curtis Mayfield. MC Danny Vicious dá brilho a “Slum King”, disparando versos sobre os ritmos sincopados.
Aqueles três anos valeram a pena. Com este álbum, Cole foi a primeira estrela garage britânica a estourar no mercado americano.




