O Madness estava em ascensão quando lançou o seu quarto álbum, The Rise And Fall. Depois de “House Of Fun” e a coletânea de sucessos Complete Madness subirem ao topo das paradas inglesas, tudo parecia estar bem resolvido. Essa confiança gerou um álbum rico e sombrio, onde as excentricidades passadas foram transformadas em algo ligeiramente macabro, mas ainda assim lindamente pop.
Uma espécie de álbum conceitual, este trabalho foi planejado como um ciclo de músicas baseado em memórias de infância. Foi o que inspirou a melancólica “Our House”, de Carl Smyth, que filtrava recordações queridas através de sua visão irônicas e chegou ao Top 10 da parada de sucessos americana.
Outras músicas eram esboçadas sobre telas mais amplas, porém igualmente pessoais. A faixa-título, com seu clima melancólico, abre o álbum de forma dura, com o cantor Suggs recordando a sua infância no decadente ambiente proletário de Liverpool. Outras letras falam de organizações clandestinas e sinistras (“Blue Skinned Beast”), políticos charlatães (“Mr. Speaker”) e voyeurismo alienado (“Primrose Hill”). Esse conjunto alucinógeno de temas apresenta um retrato vívido da Inglaterra, equivalente ao do The Village Green Preservation Society, dos Kinks.
Como as grandes comédias que The Rise And Fall evocava, o dom do Madness estava em seu exagero. “Tomorrow’s Just Another Day”, um grito de desespero detrás das grades, tem uma melancolia avassaladora.
Foram coisas assim que deram ao disco uma ressonância mais profunda do que a pantomima da capa sugere e também assinalaram o tom mais sério que os álbuns seguintes teriam. O tom geral de angústia e paranoia, mais aparente no quase psicodélico diário de turnê “New Delhi”, também assinalava o desgaste interno que resultaria na saída do tecladista Mike Barson em 1983, durante a gravação de Keep Moving.









