A magia que envolvia Malcolm McLaren por ser agente dos Sex Pistols fez com que ele se tornasse uma celebridade no princípio dos anos 80 e acabou lhe dando vontade de se tornar um astro pop. Seguindo essa ideia, conseguiu forçar um contrato com a Charisma, tendo a vaga ideia de investigar as “danças folclóricas do mundo”. Contratou Trevor Horn, o maior produtor de new pop, e partiu numa viagem extravagante e cara pelos continentes americano e africano. “Ficou claro que ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo” – disse Horn -, “o que significou que eu tinha muita liberdade criativa”.
O projeto começou em Nova York, onde McLaren ficou fascinado pelo fenômeno emergente do hip-hop. A partir daí McLaren foi gravar bandas de salsa nova-iorquinas, bandas de jug no leste do Tennessee e grupos de jiove nos subúrbios negros da África do Sul. De volta ao Bronx, McLaren descobriu dois DJs de rádios piratas – The Supreme Team – que receberam acetatos dessas gravações globais para que fizessem “scratch”. O todo foi então montado como uma viagem musical coerente por Horn e narrada por McLaren – que era musicalmente tão ignorante que precisava que Horn ficasse com ele na cabine de gravação marcando fisicamente os ritmos. Embora “Buffalo Gals” tenha tido um sucesso relativamente pequeno nos EUA, foi o primeiro grande sucesso do hip-hop na Europa, introduzindo o grande público ao scratching, break dancing e grafites característicos do estilo. Ao celebrar os elementos pagãos da cultura popular (que McLaren descrevia como “as raízes do rock ‘n’ roll”), Duck Rock facilitou o nascimento da world music tal como a conhecemos.


