Em Everything Must Go, o Manic Street Preachers repreendia seus concidadãos por deslizarem em um coma consumista. O disco era também um lamento pelo que foi perdido. Havia a destruição da indústria do carvão de Gales, onde nasceram, mas – cortando ainda mais perto – também o desaparecimento do guitarrista Richey James em 1995. As cinco composições das quais ele é coautor estão entre os muitos destaques – sua guitarra ainda pode ser ouvida em “All Surface No Feeling” -, que vão de rocks orquestrais a baladas melancólicas.
O título original do disco era Sounds In The Grass, em referência a um quadro de Willem de Kooning (a quem “Interiors” é dedicada), mas o nome foi trocado por conta de uma peça de teatro de Patrick Jones, irmão do baixista Nicky Wire. O álbum foi quase inteiramente gravado na Normandia, Norte da França, durante o verão de 1996, longe do fascínio da mídia pelo desaparecimento de James.
Se The Holly Bible (1994) só tinha encontrado apreciadores junto aos fãs mais radicais, o ambicioso Everything Must Go conquistou público, crítica e teve sucesso comercial. “É de extrema importância e grande urgência o som de uma banda em seu auge”, escreveu o NME.
“Elvis Impersonator” é nostálgica, enquanto “Kevin Carter” (em que o baterista Sean Moore também se encarrega do naipe de metais) aborda o genocídio de Ruanda, e “Small Black Flowers That Grow In The Sky”mistura a harpa tradicional de Gales com um violão desolador, obtendo um efeito arrepiante. A sonhadora “The Girl Who Wanted To Be God”, a eufórica “Australia” e a homenagem a Orwell em “A Design For Life” (a primeira música composta sem James) combinam otimismo moderado com cinismo desesperado.
A Wire escreveu o seguinte sobre os seus compatriotas britânicos: “Só queremos nos embebedar” – e estavam embebedados pela música do Manic Street Preachers. O disco foi um marco triunfal e catártico na trajetória da banda.
Small Black Flowers That Grow In The Sky: 















