O álbum mais “infeliz” a chegar ao primeiro lugar nas paradas em 1997 foi OK Computer, mas este não fica muito atrás.
Mariah Carey tinha imaginado Butterfly como um disco house, do qual só restou “Fly Away”, produzida por David Morales e baseada em “Skyline Pigeon”, de Elton John. O disco evoluiu até se tornar um enorme discurso sobre seu casamento fracassado com Tommy Mottola, o chefão da Sony.
Ainda que fosse pouco representativo, o sucesso “Honey” assinalou uma mudança. Produzido por Puff Daddy e baseado na linha de baixo de “Body Rock”, do Treacherous Three, foi outra incursão de Mariah Carey no hip-hop – ela já tinha trabalhado com Ol’Dirty Bastard em “Fantasy”, de 1995.
O rap ganha peso nas melhores músicas deste disco. “The Roof”, a favorita de Carey, baseia-se em “Shook Ones”, de Mobb Deep. “Breakdown”, com o coral hardcore do Bon Thugs-N-Harmony, acabou se tornando profética quando Carey entrou em depressão em 2001.
Das baladas, a latina “My All” foi o maior sucesso, embora haja outras mais substanciais. “Close My Eyes” parece flertar com o suicídio. “Outside”, por sua vez, “tem a ver com ser multirracial e me sentir como se viesse de outro planeta”, diz a cantora. E há a versão com a participação de Dru Hill “da minha música favorita de Prince”, a torturada “The Beautiful Ones” de Purple Rain (“a que mais se aproxima do momento que estou vivendo”, disse Carey).
Há também faixas suaves e encantadoras, como “Babydoll”, coautoria de Missy Elliott, e a evocativa “Fourth Of July”. Em todas elas Carey domina os vibratos excessivos que afastam muitos ouvintes.
O que resta é um álbum em que, tal como revela a fotografia da capa (de Michael Thompson), a amargura se converte em beleza e a melancolia em ouro.











