Arquivos

Categorias

“Broken English” de Marianne Faithfull (1979)

Ela podia ter sido a mãe de Sid Vicious – literalmente. Depois de uma década desnorteada pelas drogas, Marianne Faithfull decidiu não aparecer no filme dos Sex Pistols, The Great Rock ‘N’ Roll Swindle, mas canalizar sua fúria movida a punk para um álbum.

A energia e a objetividade do punk foram uma influência direta em Faithfull. Musicalmente, Broken English não tem nada a ver com sua linhagem – os Rolling Stones e as bonitas baladas que a tornaram famosa. No álbum, o que há é a pulsação eletrônica de “Broken English”, o blues espacial de “Brain Drain” e o soul branco de “Guilt”.

“Working Class Hero” é gelada, mas eletrizante, com vocais imperiosos que soam mais parecidos com o riso irônico de Maria Antonieta do que com a amargura do homem do povo do original de John Lennon. “The Ballad of Lucy Jordan” é uma mistura de melancolia com uma melodia que pareceria do Abba, não fossem os vocais selvagens.

Mas a faixa que faz Broken English continuar essencial é “Why D’Ya Do It”. Baseada num poema do dramaturgo Heathcote Williams, está repleta de guitarras no estilo de Robert Fripp. A estrela é Marianne: fora de si pela infidelidade de seu amante, ela varia o tom entre Patti Smith e Grace Jones para vociferar uma letra na qual o verso “Why’d you spit on my snatch?” está longe de ser o mais desagradável.

O álbum foi o ponto de partida para a recuperação de sua carreira, que levou a obras-primas como Strange Weather, de 1987. Mas nem quando cantou com o Metallica ela deixou o público de queixo caído como em Broken English.

Broken English: YouTube Preview Image

Brain Drain: YouTube Preview Image

Working Class Hero: YouTube Preview Image

The Ballad Of Lucy Jordan: YouTube Preview Image

Why D’Ya Do It: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados