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“Protection” do Massive Attack (1994)

Massive Attack – “ataque maciço”? Na época o grupo estava mais para “sob ataque”. O membro fundador, Shara Nelson – que deu voz à eterna “Unfinished Sympathy” -, deixou o grupo. Depois confundiram os fãs mudando o nome para Massive, a fim de evitar polêmicas durante a primeira guerra do Iraque. Para completar, a turnê nos Estados Unidos foi desastrosa.

Os músicos da formação original voltaram à carga com Protection, que foi recebido com reações ambíguas. Por um lado demonstrava que a banda podia produzir um bom álbum e novos hits sem Nelson. Por outro, tomaram um novo caminho musical que não foi bem recebido por alguns críticos. A produção continuava tão elaborada e interessante quanto em Blue Lines, mas era em grande parte um instrumental.

Nas faixas cantadas, temos a colaboração de Tracey Horn, do Everything But The Girl. A faixa-título possui uma voz dilacerante e camadas densas de ritmos eletrônicos, enquanto “Better Things” é pesarosa e etérea. Tricky, membro da formação original que também abandonou o grupo para seguir uma carreira solo durante a gravação deste álbum, contribui com belos vocais em “Karmacoma” e “Eurochild”.

Protection ajudou a cimentar o status do Massive Attack como grupo mais proeminente do novo som de Bristol. Abriram o caminho para grupos como Portishead, Sneaker Pimps e Beth Orton. O disco foi um dos primeiros indicadores de que o estilo que hoje conhecemos como trip-hop não era uma tendência passageira, mas um gênero emergente e prolífico (de onde sairia o formidável álbum seguinte, Mezzanine). A influência exercida pelo álbum estendeu-se pelo mundo inteiro, onde quer que haja um beat suavizado.

Protection: YouTube Preview Image

Better Things: YouTube Preview Image

Karmacoma: YouTube Preview Image

Eurochild: YouTube Preview Image

“Blue Lines” do Massive Attack (1991)

É preciso reconhecer que o disco de estreia do Massive Attack foi uma revelação, iniciando um movimento que durou toda uma década, centrado na fusão do hip-hop com um andamento mais lento e um ritmo lounge, que levaria ao surgimento de bandas como Morcheeba e Groove Armada. O Massive Attack iria posteriormente reduzir sua formação ao trio central de rappers composto por 3D, Daddy G e o vocalista convidado Horace Andy, coisa que muitos fãs lamentaram, já que os vocais balbuciados de Tricky e os formidáveis agudos de Shara Nelson eram os pontos altos deste disco.

Os dois singles, “Safe From Harm” – baseado num sample de Sly and Robie – e a música que para milhares de pessoas foi a melhor da década, “Unfinished Sympathy”, são os grandes destaques, com belos arranjos de cordas ancorando a dolorosa música de amor de Nelson. Mas o resto do disco é quase tão bom, com o formidável baixo de “Five Man Army”, a doce balada ambient “Hymn Of The Big Wheel” e a funky “Daydreaming” – todas elas músicas inesquecíveis.

O que tornou o disco tão famoso foi o toque urban chic trazido dos subúrbios escuros e perigosos de Bristol, onde viviam e trabalhavam os elementos do grupo, e o fato de que The Wild Bunch, produtores do disco, eram uma gangue: um coletivo irrecuperável de consumidores de hip-hop, reggae e erva que gostavam de música crua e exuberante.

Tudo isso faz com que o som polido e desenhado com precisão de Blue Lines seja um tesouro inesperado e certamente um bom concorrente a melhor disco de andamento lento já produzido.

Safe From Harm: YouTube Preview Image

Unfinished Sympathy: YouTube Preview Image

Five Man Army: YouTube Preview Image

Hymn Of The Big Wheel: YouTube Preview Image

Daydreaming: YouTube Preview Image

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