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“Kick Out The Jams” do MC5

Os Motor City Five, que chegaram a ser capa da Rolling Stone, viviam como fugitivos da polícia em uma comunidade hippie, fazendo um R&B malvado e psicodélico, no espírito de drogas, sexo e armas. Kick Out The Jams mostra uma noite típica do rock revolucionário desse grupo provocador, que consistia em barulho, frenesi e cosmic jazz. Gravado em seu habitat regular, o Grande Hotel Balroom, em Detroit, Kick Out The Jams avança no toca-discos num abandono desajeitado: as guitarras tocam fora do tom, os vocais sem refinamento se sobrepõem, as canções se embaralham no feedback – caos glorioso.

Os golpes não são desviados. A faixa-título abre com um convite: “Kick out the Jams, motherfuckers!”. Do grito apache de “Rocket Reducer”, passando pelo blues politizado de “Motor City’s Burning”, até o insano tributo ao deus Sol de “Starship”, o ambiente é de uma manifestação de protesto prestes a pegar fogo.

Foi um disco controverso. Uma velha raposa do rock, o lendário jornalista Lester Bangs, disse que o álbum era “ridículo, arrogante e pretensioso” e, em parte, quase convenceu o guitarrista Wayne Kramer. Quando a rede de lojas de discos Hudson’s se recusou a vender este disco öbsceno”, a banda publicou anúncios que diziam “Foda-se, Hudson’s!”. A Elektra lançou uma versão editada do álbum e logo desfez o contrato com o grupo.

Mas isso não foi o fim dos MC5 – embora tenha sido o início do fim. Kick Out The Jams continua sendo seu testamento definitivo, um álbum que cheira a spray de pimenta e no qual se pode sentir o calor das faixas pegando fogo e o fervor da revolução.

Kick Out The Jams: YouTube Preview Image

Motor City’s Burning: YouTube Preview Image

Starship: YouTube Preview Image

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