Apesar de o segundo álbum dos Meat Puppets conter três músicas que viriam a ser regravadas pelo Nirvana, o trio de Phoenix, Arizona, não foi um grupo grunge. Tendo assinado com o pioneiro selo SST, da Black Flag, o guitarrista e cantor Curt Kirkwood, o baixista Cris, seu irmão, e o baterista Derrick Bostrom tocavam uma extasiante mistura de country, punk e música psicodélica. Colocaram sua verve hardcore no primeiro álbum do grupo em 1982, mas nesse segundo disco quiseram explorar suas influências do deserto e da era hippie. As versões originais de “Plateau”, “Oh, Me” e “Lake Of Fire” exalam uma aura de outro mundo que não está presente nas gravações do Nirvana. A primeira música mencionada é um rock em tempo lento quase psicodélico, culminando com uma coda bela e levitante. A segunda conjuga sentimentos soturnos deslocados por imagens surreais e pela voz aguda de Curt.
A sublime técnica de guitarra do líder da banda é reveladora: ele é capaz de passar da eletricidade de um blues à sutileza de cordas pinçadas num abrir e fechar de olhos. A panorâmica música instrumental “Aurora Borealis” evoca paisagens tórridas com cactos e peiote, enquanto o lisérgico “Lost” protesta contra a confusão política causada por Nixon. Pinturas folclóricas na capa e na parte interna do álbum, feitas pela própria banda, completam esse marco da cultura marginal americana.
Este álbum foi bem recebido pela crítica – chegou a receber uma grande resenha na Rolling Stone, assim como o próximo, Up On The Sun.






