Os Mekons são uma das bandas mais brilhantes e subestimadas da Inglaterra. Foram formados como um coletivo meio vago em Leeds, em 1977, quando começaram a mexer com o equipamento do gang Of Four, lançaram dois LPs caóticos (além do single “Never Been In A Riot”, em resposta ao The Clash) e depois pararam por algum tempo. Inspirados pelas greves de mineiros ocorridas na Inglaterra em 1984 e 1985, a banda (com dois membros da formação original, Jon Langford e Tom Greenhalg) ressurgiu com Fear And Whiskey, aplaudido por muitos como o melhor álbum da década.
Frequentemente considerado como o início do country alternativo (uma ideia errada, pois deixa de fora os trabalhos de X, Jason And The Scorchers e The Meat Puppets), este disco não é um country punk dançante convencional, porque inclui parcelas generosas de punk, folk, pop, dub e country. Com certeza há o incessante violino de Susie Honeyman, e “Darkness And Doubt” é uma valsa honky-tonky, mas no máximo diríamos que é country tocado por punks ingleses com uma paixão por Merle Haggard.
É esse conflito que lhes dá um toque de vanguarda dissonante e, soando como um choque frontal entre Gang Of Four, The Redskins, The Pogues e Johnny Cash, a banda abre alegremente com “Chivalry” antes do manifesto político de “Trouble Down South”, um chamado às armas ameaçador cantado sobre uma rufada militar incessante. “Hard To Be Human Again” é a mais brilhante e amarga música do lado A, mas é no lado B que este LP mostra ao que veio, culminando com o pop perfeito de “Last Dance” e o cover delirante de “Lost Highway”.







