“Em Staten Island, subúrbio de Nova York, a maconha era conhecida como ‘method’”, disse Meth. “Pouco tempo depois um colega meu [...] abreviou para ‘metical’ [...] que com o passar do tempo se tornou ‘tical’”.
Ficar doidão pode ser um barato. A colaboração de Method Man com Redman, em particular o espetacular Blackout! (1999), certamente nos dá essa ilusão. Mas Tical evoca uma paisagem muito mais apavorante, com viagens de crack, ultraviolência e homicídios.
Enter The Wu-Tang (36 Chambers) já tinha apresentado ao mundo as rimas ácidas de Clifford “Method Man” Smith e a produção revolucionária de Robert “RZA” Diggs. Tical leva a crueza do outro álbum a novos extremos: beats, baixos, gritos e sons metálicos abafados criam um filme de terror mental. É um trabalho inquietante que, em mãos pouco hábeis, seguramente teria sido impossível de ouvir.
Mas as rimas trazem algum conforto quando a música fica próxima do insustentável, da mesma forma como o lendário rapper Rakin sustentou as suas rimas nas experimentações do DJ Eric B. “Quando Eric B e Rakim gravaram o Paid In Full“, lembra-se Meth, “eu realmente tomei consciência do rap”.
Fora a cantarolante “Bring The Pain”, Tical não era um disco propenso a gerar hits. A Def Jam, contudo, conseguiu extrair um disco de platina do trabalho subornando Meth (com dinheiro para comprar um Lexus) para que este refizesse “All I Need”. O resultado, onde Wu-Tang é substituído por Mary J. Blige, foi a espetacular “I’ll Be There For You / You’re All I Need To Get By”. Infelizmente ela não foi incluída na versão remasterizada, ainda que esta tenha um remix fabuloso da música “Release Yo’Delf” pelo Prodigy.
Tical 2000: Judgement Day (1998) e Tical 0: The Prequel (2004) são mais próximos das convenções do rap. O original, contudo, continua sendo o melhor deles e também o mais sombrio de todos.





