Ao contrário de Stevie Wonder, que passou de menino-prodígio a estrela adulta sem contratempos, Michael Jackson teve uma adolescência musical difícil. Em 1979, ele estava há sete longos anos sem emplacar um sucesso solo e, aos 19 anos, sentia-se desesperado para encontrar um novo mentor musical.
Enquanto ensaiava, em 1977, para o musical The Wiz, com o elenco todo negro, Jackson, timidamente, perguntou ao mestre do jazz e do funk Quincy Jones se podia recomendar um produtor para ele. Jones se candidatou, montou uma banda de estúdio a partir de dois grupos com os quais trabalhava – os Brothers Johnson e o Rufus – e arregimentou músicos como o tecladista de Stevie Wonder, Greg Philanganes. Juntos, eles criaram uma intrincada fusão de afiadas batidas disco, o estado da arte do funk, baladas arrasadoras e refrões descomplicados de pop, que reinventou o vocabulário sonoro do R&B.
O álbum traz um elenco de renomados compositores – Paul McCartney, Stevie Wonder, Carole Bayer Sager, parceira de Burt Bacharach, e o guru britânico do soul Rod Temperton -, mas a obra central do disco é a faixa de abertura, a frenética e nervosa “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, de Michael Jackson. Os vivos gritos em falsete de Jackson funcionam como um obbligato para a linha melódica, acentuando o emocionante arranjo de cordas de Ben Wright e o traçado preciso do trompete de Jerry Hey. Outras faixas repetem esse tom triunfal, e mesmo pieguices como “She’s Out Of My Life” soam tão simples e sem afetação que dá vontade de chorar junto com Michael no final da música.
O disco vendeu 12 milhões de cópias e a produção de Quincy Jones estabeleceu um precedente para os artistas em busca de como sair do gueto das bandas adolescentes. Mas nenhum pôde se comparar à genialidade absoluta de Off The Wall, o álbum que funcionou como uma pedra de Rosetta para tudo que se fez depois de R&B.
Don’t Stop ‘Til You Get Enough: 
She’s Out Of My Life: 
Rock With You: 