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“Welcome To The Afterfuture” de Mike Ladd (2000)

O dilema entre natureza e educação era suficientemente interessante para consumir Shakespeare em A Tempestade. Tanto o poeta quanto o rapper Mike Ladd são possuídos por tais conflitos de identidade e não é difícil entender o porquê disso. Educado na Índia, um aclamado letrista e poeta que transita furiosamente entre as artes, Ladd não pode ser considerado um típico MC de rap. Enquanto trabalhava na New Yorke University como professor de poesia, Ladd podia ser encontrado acelerando nas vias expressas de Nova York, sentado no banco do carona e mostrando o traseiro para os policiais.

Welcome To The Afterfuture é uma viagem com os pés no chão. Músicas instrumentais de jazz futurista e trechos ambient juntam os blocos pesados de poesia alucinógena, mas uma música como “The Animist” é hip-hop simples e direto: um groove jazzístico em um sintetizador, aliado à filosofia espirituosa e humanista de Ladd. Nem sempre ele é tão acessível – em poucos minutos, a atmosfera muda para o inflamado apocalipse de Sun Ra em “Starship Nigga”, que depois se transforma no calafrio desorientado da faixa que dá nome ao disco.

Mas o golpe de mestre de Ladd em Welcome To The Afterfuture é a forma como une esses elementos díspares e exóticos. O álbum segue num crescendo até a estonteante “Feb 4 ’99″, que evoca imagens da vida do próprio Ladd – diversão na Índia, violência em Nova York, sua sofucante cidade natal de Cambridge, Massachusets – para conceber uma poderosa declaração sobre o conceito de justiça numa terra abandonada por Deus. É uma bela e comovente explosão de um artista que claramente atira para matar.

Starship Nigga: YouTube Preview Image

Feb 4 ’99: YouTube Preview Image

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