Se a terra alguma vez se abrir e os céus negros cuspirem fogo, esperemos ao menos que tenham a trilha sonora do Apocalipse que se encontra no sexto álbum do Ministry, Psalm 69. Criado pelo xamã drogado Alain Jourgensen e pelo ainda mais enigmático Paul Barker, o álbum é uma barragem tensa de ritmos alucinantes vindos da música industrial, guitarras cortantes e samples tirânicos de sirenes de ataque aéreo, pregações e tenebrosos coros góticos.
Como é que um álbum tão desagradável contaminou a consciência pública de modo a receber um disco de platina? A resposta é simples: devido ao single “Jesus Built My Hot Rod”. Era uma faixa diferente em meio a um brutal e inquietante disco conceitual sobre o Juízo Final. A primeira faixa, “New World Order”, é um hino de guerra para uma revolução sangrenta. O controverso vídeo de “Just One Fix” mostrava um drogado em crise de abstinência e William S. Burroughs completamente cavernoso. A música que dá nome ao disco é uma justaposição demoníaca de cânticos militares e evangélicos. O sumo-sacerdote do Ministry, Jourgensen, nutria tanto desprezo por aqueles que tinham sede de poder quanto pela cultura da classe média norte-americana, que vivia em torno de carros potentes e televisão imbecilizante.
Esta obra é ao mesmo tempo bruta e afiada como uma faca. Como uma evisceração niilista, a música do Ministry arrasa tudo o que é supérfluo, deixando somente sinapses tenebrosas e expostas. Esqueçam Marilyn Manson – nada na indústria musical norte-americana soou tão apocalíptico e monumentalmente perverso quanto Psalm 69.





