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“Miriam Makeba” de Miriam Makeba (1960)

Tradicionais canções xhosa de casamento mescladas a etéreos ritmos de jazz africano, doces canções de ninar da Indonésia e contagiantes calipsos – uma miríade de estilos e influências causando um enorme impacto. Gravado um ano depois do sucesso internacional de King Kong (1959), que deu a muitos músicos negros sul-africanos a oportunidade de escapar do apartheid, o álbum de estreia de Makeba pinta um comovente retrato da artista no exílio.

Respaldado na calorosa recepção que ela teve quando se apresentou no Village Vanguard, em Nova York, Miriam Makeba apresenta a cantora de 28 anos confiante em sua entrada no palco mundial. Aos ouvidos ocidentais, muito da magia do álbum está nos timbres “exóticos” de seus “estalos” na língua xhosa em belezas afro-pop como “The Click Song” e na melodia alegre de “Mbube”(com a participação do The Chad Mitchell Trio). A revista Time logo se interessou por esse casamento de ritmos autênticos africanos com o pop ocidental, saudando Makeba como “o mais excitante talento de cantora que surgiu em muitos anos”. Mas o álbum não conseguiu traduzir o aplauso da crítica em vendas e a gravadora desistiu de renovar seu contrato. Na verdade, poemas pop (“The Naughty Little Flea”) e clássicos do folk (“House Of The Rising Sun”) foram feitos sob medida para virar um sucesso sem fronteiras, mas baladas nativas como “Umhome” eram muito africanas para ser plenamente apreciadas pelo grande público.

Logo depois, trabalhos menos étnicos consagrariam Makeba como uma “Mama África”, uma diva do continente. Mas é a música de uma imigrante sul-africana verbalizando a saudade da terra natal vista pelas lentes de uma exilada o que torna este álbum realmente emocionante.

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