Missy Elliott é, quase inquestionavelmente, a mais importante intérprete feminina de hip-hop dos últimos 25 anos. E seu álbum de estreia continua a ser um dos mais renovados do gênero.
Após ter eescrito vários sucessos para a malograda estrela de R&B Aaliyah (que participa como convidada neste disco), Elliott recrutou Timbaland, seu colaborador de longa data, para trabalhar em Supa Dupa Fly. Ela forneceu um saudável antídoto contra a atitude casual de misoginia do rap em geral, emergindo como uma artista populista e provocadora, uma criadora de sucessos, sem jamais deixar de ser ferozmente inovadora. A maestria de Elliott nunca consistiu em criar rimas tecnicamente complexas, mas em cuspir livremente tiradas muitas vezes hilariantes sobre sexo, relacionamentos e fumar erva. Na realidade, o seu verdadeiro talento consiste em cantar, algo que ela faz um cerca de 40% deste álbum.
“The Rain (Supa Dupa Fly)”, o maior sucesso do disco (ajudado pelo vídeo de Hype Williams, com frequentes exibições na MTV), demonstra claramente porque as contribuições de Timbaland são cruciais. Essa faixa conjuga uma batida ancestral de R&B pontuada por uma produção eletrônica comedida e inovadora que criou um novo patamar a ser atingido por todos os produtores de hip-hop, incluindo The Neptunes. “Pass Da Blunt” resgata “Pass The Kutchie” (do The Mighty Diamonds) da interpretação falsamente inocente do Musical Youth, revivendo a música como um hino à maconha. “Beep Me 911″ e “They Don’t Wanna Fuck With Me” realçam a faceta sincopada e futurista do trabalho, enquanto “Izzy Izzy Ahh” prova que ela também se sente à vontade quando improvisa no estilo de uma festa arrasa-quarteirão cheia de ganja.






