Com Play, Moby criou música eletrônica para todos os públicos. O álbum coincidiu com o fim de um apelo mais restrito desse gênero musical, ainda que seja injusto dizer que foi o único responsável pela disseminação da música eletrônica junto ao grande público: o sucesso deste disco se deve, em grande parte, à inclusão de elementos de blues, gospel e rock.
Descendente direto do autor de Moby Dick, Herman Melville (daí o seu nome artístico), Richard Melville Hall tocou violão clássico, passou algum tempo em bandas hardcore e cantou rock alternativo antes de encontrar o seu lugar atrás das pickups e dos sintetizadores. Os seus primeiros trabalhos foram ao mesmo tempo aclamados e criticados por sua abordagem fácil de se gostar da cultura clubber. A partir de I Like To Score, de 1997, Moby começou a converter-se num dos rostos mais conhecidos da música eletrônica, um status que asseguraria neste disco.
Apesar de músicas como “Honey” e “Bodyrock” terem se tornado clássicos das pistas – de Ibiza a São Francisco -, este não é um disco de dance, mas um álbum pop. Moby se inspira em várias fontes, construindo a irresistível música de abertura, “Honey”, em torno de curtos samples da maior representante do blues da Geórgia, Bessie Jones. Utiliza o coro Shining Light Gospel para as expressivas linhas intimistas de “Why Does My Heart Feel So Bad?” e depois insere trechos vocais de Bill Landford And The Landfordaires em “Run On”.
Play teve um êxito comercial esmagador, atingindo o primeiro lugar das paradas inglesas e tendo vendido mais de dois milhões de cópias. Isso não agradou todo mundo: Michael Stipe, do R.E.M., queixou-se do incômodo que era, na época, ser sempre confundido com Moby.







