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“Hard Again” de Muddy Waters (1977)

É irônico que o guitarrista responsável por tornar o blues elétrico não tenha arranhado uma nota sequer em sua Fender Telecaster vermelha, apelidada “Hoss”, neste que é, talvez, seu melhor disco.

Aos 71 anos, Muddy Waters, depois de encerrar uma carreira de 28 anos na Chess Records – uma parceria que, nos primeiros tempos, teve como resultado singles que redefiniram o blues, como “Rollin’ Stone”, mas que também gerou boa parte do trabalho medíocre de Muddy nos anos 70 -, entrou no estúdio com a missão de provar que ainda estava em forma. E conseguiu, ao criar uma música tão crua, poderosa e passional que parece tocada na mítica “encruzilhada” do blues, com o diabo em pessoa e Robert Johnson, do outro lado da rua, ouvindo e balançando a cabeça, admirados.

Bob Margolin, integrante da banda que acompanhava Waters nas turnês, e produtor Johnny Winter temperam “I Want To Be Loved” e “Jealous Hearted  Man” com guitarras poderosas, que quase reproduzem o mestre em seu aguse. Nas sentimentais “Crosseyed Cat” e “Little Girl”, James Cotton faz um maravilhoso acompanhamento na harmônica, o melhor que Waters teve desde, talvez, os tempos de Little Walter. No entanto, é a voz de Waters, que não soava tão intensa há, no mínimo, uma década, que consegue injetar vida nova em velhos clássicos como “Mannish Boy” e “I Can’t Be Satisfied”.

Hard Again recebeu críticas positivas e unânimes e valeu a Waters seu quarto Grammy – e, o mais importante, mostrou que ninguém fazia blues como Muddy Waters.

I Want To Be Loved: YouTube Preview Image

Crosseyed Cat: YouTube Preview Image

Mannish Boy: YouTube Preview Image

I Can’t Be Satisfied: YouTube Preview Image

“Muddy Waters At Newport” de Muddy Waters (1960)

Muddy Waters passou boa parte dos anos 50 nas paradas de R&B, com hits como “Rolin’ And Tumblin’” e “Louisiana Blues”, mas foi apenas em 1960 que se tornou conhecido das grandes plateias brancas, a quem apresentou o blues ao vivo. Quando as vendas começaram a cair dramaticamente no final da década de 50, a Chess Records decidiu investir em seu maior talento e gravou a apresentação de Muddy no Festival de Jazz de Newport, em 1960.

Quando pisou no palco naquela tarde, Waters era tão desconhecido do público branco quanto seu estilo boogie rural de Chicago. O fervilhante refrão de “Hoochie Coochie Man” e o lamento sem enfeites de “Baby Please Don’t Go” se inspiraram no trompete arrepiante de Dizzie Gillespie. Perto do final do show, a voz de barítono poderosa de Muddy, a harmônica sentida de James Cotton e o piano-de-bar de Otis Spann fizeram a garotada dançar pelos corredores em “Got My Mojo Working”.

Se este álbum apenas representasse o momento em que o blues ao vivo foi convidado a entrar nos lares da classe média, deveria ser lembrado. Se fosse somente o disco que moldou o gosto de Jimmy Page e Eric Clapton pelo som urbano dos Estados Unidos, seria um marco. Mas, depois de 45 anos de vendas consistentes, Muddy Waters At Newport é, em sua essência, o testamento do magnetismo e do sentimento do melhor do blues em estado puro.

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