Das poucas bandas que apareceram durante o curto período que durou a moda shoe-gazing no início dos anos 90, My Bloody Valentine é uma das poucas lembradas com carinho. Loveless, o seu último disco, lançado em 1991, é uma obra-prima quase mítica do rock indie.
A banda tinha se esforçado, inicialmente, para libertar-se das comparações com o Jesus And Mary Chain provocadas pelas suas guitarras saturadas de distorção, mas no final da década tinham encontrado um som único com o seu primeiro álbum para a Creation, Isn’t Anything, de 1988. Este disco – juntamente com o single “You Made Me Realize” e o EP Glider – desvelou uma bruma lânguida e onírica de vozes etéreas soterradas sob um vasto rumor de guitarras distorcidas e samples de tom frequentemente indeterminado. “O som de Deus espirrando em câmara lenta”, foi como a Guiness Rockopedia o descreveu. O shoe-gazing tinha nascido.
O My Bloody Valentine tinha passado os três anos seguintes realizando seu trabalho seguinte, ao custo de supostas 250 mil libras (o guitarrista Kevin Shields afirma que foram apenas 140 mil libras). Realizado com a colaboração de 18 engenheiros de som (embora Shields afirme que é menos sofisticado que um disco dos White Stripes), Loveless completou o que agora parecia um esboço primitivo, Isn’t Anything. Este foi outro salto quântico para as guitarras. Nenhum dos seus contemporâneos seguidores do shoe-gazing se atreveria a tentar competir com um álbum tão deslumbrante.
Nem mesmo Shields, ao que parece. Depois de quase levar a Creation à falência (e o diretor do selo, Alan McGee, a uma crise nervosa), o My Bloody Valentine perdeu seu contrato. Formalmente o grupo ainda existe e, apesar da saída do baterista Colm O’Ciosoig e da baixista Debbie Googe, o My Bloody Valentine ainda pode aumentar a sua discografia.











