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“Loveless” do My Bloody Valentine (1991)

Das poucas bandas que apareceram durante o curto período que durou a moda shoe-gazing no início dos anos 90, My Bloody Valentine é uma das poucas lembradas com carinho. Loveless, o seu último disco, lançado em 1991, é uma obra-prima quase mítica do rock indie.

A banda tinha se esforçado, inicialmente, para libertar-se das comparações com o Jesus And Mary Chain provocadas pelas suas guitarras saturadas de distorção, mas no final da década tinham encontrado um som único com o seu primeiro álbum para a Creation, Isn’t Anything, de 1988. Este disco – juntamente com o single “You Made Me Realize” e o EP Glider – desvelou uma bruma lânguida e onírica de vozes etéreas soterradas sob um vasto rumor de guitarras distorcidas e samples de tom frequentemente indeterminado. “O som de Deus espirrando em câmara lenta”, foi como a Guiness Rockopedia o descreveu. O shoe-gazing tinha nascido.

O My Bloody Valentine tinha passado os três anos seguintes realizando seu trabalho seguinte, ao custo de supostas 250 mil libras (o guitarrista Kevin Shields afirma que foram apenas 140 mil libras). Realizado com a colaboração de 18 engenheiros de som (embora Shields afirme que é menos sofisticado que um disco dos White Stripes), Loveless completou o que agora parecia um esboço primitivo, Isn’t Anything. Este foi outro salto quântico para as guitarras. Nenhum dos seus contemporâneos seguidores do shoe-gazing se atreveria a tentar competir com um álbum tão deslumbrante.

Nem mesmo Shields, ao que parece. Depois de quase levar a Creation à falência (e o diretor do selo, Alan McGee, a uma crise nervosa), o My Bloody Valentine perdeu seu contrato. Formalmente o grupo ainda existe e, apesar da saída do baterista Colm O’Ciosoig e da baixista Debbie Googe, o My Bloody Valentine ainda pode aumentar a sua discografia.

Only Shallow: YouTube Preview Image

Touched: YouTube Preview Image

To Here Knows When: YouTube Preview Image

Sometimes: YouTube Preview Image

Soon: YouTube Preview Image

“Isn’t Anything” do My Bloody Valentine (1988)

Formado em 1984, em Dublin, pelo guitarrista Kevin Shields e o baterista Colm O’Ciosoig, My Bloody Valentine mudou-se para a Holanda, Berlim e finalmente para Londres, perdendo no caminho o vocalista original Dave Conway e ganhando a baixista Debbie Googe e a guitarrista e vocalista Bilinda Butcher. Gravaram para quatro selos diferentes antes de assinarem com o Creation, mas o seu primeiro lançamento neste selo, “You Made Me Realise”, foi recebido com aprovação e boa surpresa.

Uma onda excitante de bandas underground americanas, como Big Black, Dinosaur Jr. e Hüsker Dü, tinha reaberto os ouvidos europeus para as possibilidades sonoras das guitarras. Inspirado nisso, Shields assumiu o controle criativo do grupo e começou a elaborar meticulosamente Isn’t Anything, criando a coisa rara que é um álbum de rock de guitarra sem guitarras – elas foram transformadas por reverbs prolongados e outros efeitos, antes que Shields apagasse inteiramente o som das guitarras não processadas, deixando apenas os efeitos.

Usando afinações pouco convencionais, ritmos deslocados, doces texturas harmônicas e os tópicos predominantemente sexuais das letras, as músicas vão da sensual “Lose My Breath” à auralmente irritante “All I Need”. “Soft As Snow (But Warm Inside)”, eroticamente carregada, e o single “Feed Me With Your Kiss” mostram Shields equilibrando a sua visão perfeita do pop com os sons que estavam em sua cabeça.

Enquanto Shields trabalhava obsessivamente no estúdio, surgiu um grande número de novas bandas, como Ride e Lush, aproximando-se da sonoridade do My Bloody Valentine, mas sem o gênio e o espírito inovador que fizeram de Isn’t Anything uma obra de referência.

Lose My Breath: YouTube Preview Image

All I Need: YouTube Preview Image

Soft As Snow (But Warm Inside): YouTube Preview Image

Feed Me With Your Kiss: YouTube Preview Image

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