Junto com os seus contemporâneos do texas, Lyle Lovett e Steve Earle, Nanci Griffith surgiu como um sopro de ar fresco na cena um pouco repetitiva de música country em meados da década de 80. Seu talento crescente ficava evidente em seus três álbuns anteriores, mas foi neste quarto disco que Griffith realmente se firmou.
Não sendo nem country nem folk, o som é rico, “de raiz” e acústico; as músicas são contagiosas, ágeis e inteligentes. A sua voz vibra, tremula e estremece, provocando efeitos emocionantes e libertadores. Embora Kathy Mattea tenha conseguido dois hits com músicas deste álbum (“Love At The Five And Dime” e “Goin’ Gone”), a viz de Griffith, suave mas nunca melosa, funciona melhor com suas próprias composições.
A ex-professora era sincera e gostava de abrir seu coração. Por isso deixou-se fotografar com uma biografia de Tennessee Williams na capa e, no verso, com o clássico romance Lonesome Dove, de Larry McMurtry. E, sim, de fato é Lyle Lovett quem está dançando sob o cartaz da lanchonete Woolworth’s.
Contrariando a sua aparência delicada, ela podia ser um osso duro de roer quando necessário, tanto como pessoa quanto em suas músicas. Mas quando abria a boca para cantar era impossível não se apaixonar por ela. Depois deste álbum, lançou o seu primeiro disco por uma grande gravadora – Lone Star State Of Mind -, dois picos criativos numa carreira que já dura mais de duas décadas e meia.



