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Por Erasmo Junior, em 20-05-2011 - 1h09
Depois de quase uma década de discos quase-terríveis, o quase-brilhante Freedom (1989) mostrou ser um trabalho suficientemente bom para ser considerado o álbum de retorno de Neil Young. Mas ainda que suas letras enraivecidas e a divisão entre música acústica e elétrica ecoassem o último grande triunfo de Young – Rust Never Sleeps, de 1978 -, algo estava faltando: o Crazy Horse.
Ao mesmo tempo o melhor e o pior grupo do mundo, o Crazy Horse (formado pelo baterista Ralph Molina, o baixista Billy Talbot e, nos discos de Young, pelo guitarrista Frank “Poncho” Sampedro) tinha sido o acompanhante mais duradouro de Neil Young. A amarga separação depois de Lire (1987) parecia permanente, mas Freedom fez com que Young se apercebesse de quanto o Crazy Horse era imprescindível.
Sem serem músicos muito técnicos, a magia dos integrantes do Crazy Horse estava em sua capacidade de improvisação. No passado, Young tinha perturbado demais a química delicada do grupo. O produtor David Briggs limitou o papel de Young a cantor, compositor e guitarrista e negou-se a lhe mostrar o material até que a gravação – realizada no galpão cavernoso que aparece na capa do álbum – estivesse terminada.
Ainda que as músicas, na sua maioria nostálgicas, não apresentem a fúria do álbum anterior (“Country Home” e a excelente “White Line” remontam aos anos 70), Ragged Glory é, em termos de som, tudo o que Freedom deveria ter sido. Os ritmos lentos e pesados do Crazy Horse e os solos frenéticos e repletos de distorção de Young – especialmente na furiosa “F*!#in’ Up” e na versão cover maravilhosamente descuidada de “Farmer John” do The Premiers – fazem deste álbum um destaque improvável na era do grunge.
F*!#in’ Up: 
Farmer John: 
Love To Burn: 
Por Erasmo Junior, em 30-09-2010 - 1h32
Em 1979, Neil Young comemorava o fato de ter sobrevivido aos anos 70 com sua integridade intacta. A revista Village Voice até mesmo o classificou como o “Artista da Década”, confirmando Young como um dos poucos astros de sua época, ao lado de Bob Dylan e Van Morrison, a fazer com sucesso a transição dos anos 60.
Young prosseguiu sua carreira solo em duas frentes. O filme Rust Never Sleeps, que estreou em julho de 1979, continha gravações do concerto no Cow Palace, em São Francisco, no ano anterior. Mas o álbum com o mesmo nome, lançado simultaneamente, era mais interessante e trazia um lado acústico só com Young e um lado alétrico com o Crazy Horse como banda de apoio. O disco se ancorava nas variações de uma música, “My My, Hey Hey”, que refletia sobre a natureza passageira do estrelato. A canção ganhou o status de lenda quando Kurt Cobain, do Nirvana, a citou no bilhete que deixou ao se suicidar.
Os destaques entre as faixas acústicas incluem “Pocahontas”, inspirada na índia Sachgeen Littlefeather, que apareceu na festa do Oscar, enviada por Marlon Brando, para recusar o prêmio de melhor ator por O Poderoso Chefão (Young havia explorado o tema da destruição dos povos nativos americanos em “Broken Arrow”, na época do Buffalo Springfield). “Thrasher” fazia alusão velada a seu relacionamento com Crosby, Stills e Nash.
O poderoso lado B, gravado ao vivo, mas sem o som da plateia, começa com “Powderfinger”, uma história de faroeste, e conclui com uma segunda versão do tema do álbum, “Hey Hey, My My (Into The Black)”. O disco representa o som de um artista que se recusa a apagar seu fogo e desaparecer.
My My, Hey Hey (Out Of The Blue): 
Pocahontas: 
Thrasher: 
Powderfinger: 
Hey Hey, My My (Into The Black): 
Por Erasmo Junior, em 09-08-2010 - 23h44
Em 1973, Neil Young poderia ser o homem mais feliz da Califórnia. Seu último álbum, Harvest, tinha chegado ao primeiro lugar nas paradas da Inglaterra e dos Estados Unidos, e os críticos o consideravam o melhor compositor e cantor da sua geração. Mas Young estava deprimido e infeliz. No ano anterior, havia perdido dois amigos muito próximos – Danny Whitten, guitarrista do Crazy Horse, e o agente Bruce Berry -, ambos por overdose de heroína. Seu sucesso comercial o fez se sentir aprisionado e isolado.
Tonight’s The Night foi uma tentativa de escapar do passado. Gravado numa série de sessões noturnas, movidas a tequila, no estúdio SIR, em Los Angeles, o álbum traz um Young reinventado como um trovador bêbado de bar. Nada dos country-rocks perfeitos e das suaves faixas folk de Harvest. Em vez disso, o disco faz reflexões em tom de blues sobre a fama e a morte. A faixa-título, abastecida pela guitarra devastadora de Nils Lofgren, retrata a vida triste e desperdiçada de Bruce Berry. “Tired Eyes”lembra a luta de Whitten contra as drogas. “He tried to do his best, but he could not” (“Ele tentou fazer o melhor que podia, mas não conseguiu”), diz a frase batida no refrão. “World On A String” apresenta a pedal steel etérea de Ben Keith e a rejeição cínica de Young a seu status de celebridade. A imagem da capa é tão provocadora quanto a música.
O álbum foi gravado em 1973, mas a Reprise segurou o lançamento de Tonight’s The Night, na vã esperança de que Young fizesse um disco mais comercial. Foi, finalmente, lançado em 1975 e recebeu ótimas críticas, mas não conseguiu igualar as vendas registradas pelos álbuns anteriores. Sua verdadeira influência só foi notada uma década depois, quando grupos grunge e de country alternativo passaram a imitar seu som cru e apocalíptico.
Tonight’s The Night: 
Tired Eyes: 
World On A String: 
Por Erasmo Junior, em 04-08-2010 - 23h28
Mesmo para os padrões melancólicos de Neil Young, On The Beach é uma viagem deprimente. Uma odisseia de arrependimento, desgosto e decepção, este álbum marca o fim da crença no amor. A capa retrata Neil Young rompido com o ambiente decadente de uma Costa Oeste estragada pela cocaína: sozinho numa praia cinzenta, ele dá as costas a uma pilha de refugos da vida californiana.
“Revolution Blues” leva essa loucura a extremos violentos. Em ásperos acordes em tom menor, Young faz o papel de um vingador de cabelos longos, cuspindo fogo sobre a rica comunidade hippie de Laurel Canyon, em Los Angeles. As referências a Charles Manson chocaram seus parceiros Crosby, Stills e Nash durante a turnê da banda em 1974, e eles pediram a Young para não tocar mais a música.
Mas as estrelas decadentes da Costa Oeste eram apenas um dos alvos na sua visão de franco-atirador. A suave “Ambulance Blues” esconde um ataque à miopia dos críticos, enquanto “Vampire Blues” – um exercício de minimalismo inspirado em John Lee Hooker – dá uma mordida nos aproveitadores. Até seu casamento turbulento com a atriz Carrie Snodgress é dissecado na triste “Motion Pictures”.
Embora as letras emanem bílis, a música é relaxante. “Walk On” passeia por um ambiente tóxico e abafado, e surpreende ao chegar ao 69o lugar nas paradas – nesta faixa, Young continua a brincadeira com o Lynyrd Skynyrd, que o tinha citado em “Sweet Home Alabama”.
A Rolling Stone classificou o álbum como o melhor de Young depois de After The Gold Rush, mas On The Beach, infelizmente, foi esquecido e é praticamente desconhecido pelas gerações mais novas. O próprio Young passou a desgostar da crueza emocional do álbum e impediu o relançamento em CD até 2003.
Revolution Blues: 
Ambulance Blues: 
Vampire Blues: 
Motion Pictures: 
Walk On: 
Por Erasmo Junior, em 21-07-2010 - 14h04
Harvest é um álbum que evoca com perfeição tanto o otimismo decadente do movimento da contracultura de São Francisco como o crescente cinismo da geração de Watergate. É, até hoje, um dos maiores sucessos comerciais do universo country-rock da Costa Oeste, tendo ficado em primeiro lugar nas paradas americanas e britânicas. Ainda assim, sua importância quase foi esvaziada previamente pelos Byrds e pelo Buffalo Springfield.
O disco, sem dúvida, prenunciou o auge criativo que Young atingiria na década de 70. As harmonias vocais de Linda Ronstadt e James Taylor garantiram o sucesso comercial do single “heart Of Gold”, algo que assustou tanto Young que ele tirou a música do repertório de seus shows durante três décadas. “Por causa dessa canção, fui parar na estrada da fama”, escreveu ele. “Isso logo virou uma chatice e eu peguei um desvio”.
Além dessa faixa, Harvest contém alguns dos melhores retratos poéticos traçados por Young, do escárnio em banho-maria de “Alabama” – uma denúncia ácida sobre a corrupção no Sul dos Estados Unidos – à encantadora e intimista “The Needle And The Damage Done” e à tocante, quase sentimental, “Old Man”, escrita em homenagem ao caseiro do rancho de Young. Harvest muitas vezes ameaça descambar para um country enjoativo, mas, no final das contas, acaba brilhando pela força de seu gênio criador.
Não foi surpresa que Young procurasse se afastar do sucesso retumbante do álbum. A maior parte de seu trabalho nos anos 70 seguiria com uma visão mais insidiosa dos Estados Unidos, através de experiências no campo do punk e do blues. Harvest, no entanto, permanece como o retrato da maioridade da geração do Baby Boom.
Heart Of Gold: 
Alabama: 
The Needle And The Damage Done: 
Old Man: 
Harvest: 
Por Erasmo Junior, em 14-07-2010 - 22h36
Um disco comovente, After The Gold Rush contém algumas das letras de amor mais devastadoras de Neil Young. A imagem da capa resume o sentimento do álbum – uma fotografia propositadamente superexposta do cantor e compositor andando por uma rua semideserta.
As novas canções de Young – que tinha, até então, estado ocupado com o álbum de Crosby, Stills, Nash And Young, Déjà Vu – indicam um olhar mais introspectivo do artista. Músicas como “Tell Me Why”, “Only Love Can Break Your Heart” e “Don’t Let It Bring You Down” solidificam sua fama como um romântico incurável. A energia e o fogo de sua guitarra elétrica só aparecem duas vezes, em especial na corrosiva (e controversa) “Southern Man”.
Para reforçar o clima de fim de noite do disco, After The Gold Rush contou com a participação de uma descoberta de Young – um jovem cantor, compositor e multiinstrumentista chamado Nils Lofgren, que, com seu trabalho de guitarra e piano, colocou essas canções no rol das melhores de Neil Young. A linda e nostálgica faixa-título, por exemplo – uma elegia quase mística a uma América que estava desaparecendo cada vez mais rápido -, virou a base do repertório de Young em seus shows.
O disco pavimentou o caminho para Harvest, lançado dois anos depois, considerado um dos mais importantes álbuns de country-rock da história. Até então, After The Gold Rush, uma coleção completa de canções passionais, era o ponto alto da carreira de Young.
After The Gold Rush: 
Tell Me Why: 
Only Love Can Break Your Heart: 
Don’t Let It Bring You Down: 
Southern Man: 
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