“Não é um disco feminista” – declarou Neneh Cherry à revista Face, em 1988, falando sobre seu primeiro disco – “…mas trata da força feminina, do poder feminino e mostra uma atitude feminina”. Esse era, resumidamente, o manifesto de Neneh Cherry. Uma versão de uma música de Morgan McVey, “Buffalo Stance”, introduziu a marca registrada da cantora – uma mistura de estilos urbanos populares, a doçura de quem conhece as manhas das grandes cidades e orgulho de ser mulher e mãe. Esses temas estão presentes em todo o álbum, criado em coautoria com seu produtor e parceiro, Boogie Bear (Cameron McVey, produtor de Blue Lines do Massive Atack).
Nômade desde criança, viajou muito com sua mãe, a artista sueca Moki, e com o famoso trompetista de jazz Don Cherry, seu padrasto. Aos 15 anos, visitou pela primeira vez a África Ocidental com o seu pai biológico, Amhadu Jah, um percussionista de Serra Leoa. Lá ela descobriu o poder maternal da mulher africana. Depois de passar algum tempo na banda punk nova-iorquina The Slits, mudou-se para Londres em 1980 para tocar com a banda híbrida de jazz/funk Rip, Rig And Panic e teve o seu primeiro filho aos 18 anos.
Enquanto faixas como “Heart” e “Phoney Ladies” são ataques mordazes à futilidade e mesquinhez sociais e às preocupações relacionadas com distinções de sexo, faixas como “Inna City Mamma” e “The Next Generation” homenageiam a figura da mãe independente e forte que Cherry representa. Ela apareceu no programa Top Of The Pops grávida de oito meses (com um vestido justo de lycra) e colocou o seu filho Tyson, de dois meses, no videoclipe de “Manchild”. O álbum vendeu dois milhões e meio de cópias e, através do encanto de Neneh Cherry, de suas melodias contagiantes e sua voz doce, atingiu um público muito maior do que os gêneros básicos de sua música – hip-hop, dance, rap e pop – costumam permitir.








