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“Technique” do New Order (1989)

Três discos de rock inglês representam perfeitamente o espírito do fenômeno do acid house que varreu a Inglaterra no final dos anos 80: Bummed, do Happy Mondays, o álbum de estreia do Stone Roses e Technique, do New Order. Todos os três são originários de Manchester.

Quando o acid house se tornou moda em Ibiza, o New Order já estava tentando gravar seu quinto álbum. Depois do que podemos chamar de um longo feriado hedonista, regressaram à Inglaterra com apenas 12 faixas contendo a base e um solo de guitarra. No entanto, após concluírem o trabalho nos estúdios Real World, de Peter Gabriel, ficou óbvio que o tempo passado em Ibiza não tinha sido desperdiçado.

Technique é uma obra-prima de sua época. A música de abertura, “Fine Time”, gravada imediatamente depois de regressarem de uma noitada nos clubes, incluía um pastiche vocal surreal de Barry White sobre ritmos acid absolutamente frenéticos; “Round And Round” era tecno de Detroit no estilo de Salford. Em outros momentos do álbum, faixas eletrônicas como “Love Less” e “Mr. Disco” complementam perfeitamente a acústica baleárica e, enquanto as letras de Bernard Sumner documentam o final recente do seu casamento, a atmosfera obscura e introspectiva, marca registrada do New Order, foi substituída por ecstasy e pores-do-sol na praia.

Technique definiu um gênero musical e entrou merecidamente para o primeiro lugar nas paradas inglesas. Com a crescente popularidade do lendário Hacienda Club de Manchester – co-propriedade da banda e quase inteiramente financiado por ela – e a emergência de clássicos do acid house como “Voodoo Ray”, do A Guy Called Gerald, e “Pacific State”, do 808 State, o New Order e a Madchester (o nome da cena musical que surgiu nos arredores da cidade) estavam na ponta extrema da maior revolução musical que iria ocorrer na Inglaterra desde o punk.

Fine Time: YouTube Preview Image

Round And Round: YouTube Preview Image

Love Less: YouTube Preview Image

Mr. Disco: YouTube Preview Image

“Low-Life” do New Order (1985)

O terceiro álbum no New Order brilhava com uma confiança recém-adquirida. Depois do mediano Movement e de Power, Corruption And Lies, “quase lá”, Low-Life englobava tecnopop (“Subculture”), gótico dark (“Sunrise”) e a primeira mistura de country com tecno (“Love Vigilantes”).

O título havia sido inspirado pelo escritor Jeffrey Barnard, cuja frase “I… live what’s called the low life” foi campleada em “This Time Of Night” (o autor, descontente, processou-os). Foi o único disco na carreira da banda que trouxe fotos do grupo no encarte.

“Perfect Kiss” (lançado simultaneamente como um single de 12″) é um grandioso épico no estilo disco. As incomparáveis linhas melódicas do baixo de Peter Hook e os power chords de Gillian Gilbert nos sintetizadores mantêm o som coeso, enquanto o baterista Stephen Morris e o vocalista Bernard Sumner adicionam cowbells, máquinas de fliperama, coaxar de rãs e ainda uma narrativa sobre AIDS, vingança e os prazeres da mastrubação.

O ponto alto, contudo, é a fúnebre instrumental “Elegie”. Gravada numa maratona de 24 horas imediatamente após voltarem de uma cansativa turnê pela Inglaterra, era supostamente um tributo ao falecido Ian Curtis, o vocalista da encarnação anterior da banda, o Joy Division.

Low-Life firmou o grupo como uma potência na música britânica, entrando no Top 10 tanto na Inglaterra quanto, pela primeira vez, nos EUA.

Subculture: YouTube Preview Image

Sunrise: YouTube Preview Image

Love Vigilantes: YouTube Preview Image

This Time Of Night: YouTube Preview Image

Perfect Kiss: YouTube Preview Image

Elegia: YouTube Preview Image

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