A imprensa os ridicularizava como uma caricatura drag dos Rolling Stones, mas os New York Dolls eram, na verdade, uma banda bem amarrada e ensaiada, que amava os grupos de R&B dos anos 50 e as bandas femininas dos anos 60. Eles ganharam fama em Nova York, numa temporada no Mercer Arts Center, e foram adotados pelo pessoal da Factory de Andy Warhol. Convencido de que a banda iria estourar, Marty Thau, que era associado aos empresários do Aerosmith, conseguiu um contrato de gravação para o New York Dolls. As descrições crueis da banda do dia-a-dia de uma decadente Manhattan e as crônicas do desespero do submundo pareciam feitas para manter acesa a chama do The Velvet Underground.
O produtor Todd Rundgren, não sem enfrentar alguma oposição do New York Dolls, transformou a dinâmica garage da banda num som cinematográfico. A guitarra tempestuosa, no estilo de Chuck Berry, tocada por Johnny Thunder batia de frente com os grunhidos bêbados de David Johansen, numa sessão de gravação selvagem que rendeu uma explosiva série de canções. A sabedoria das ruas entranhada no rock ‘n’ roll do New York Dolls (somada à percepção aguda da benda) deu origem a clássicos da sarjeta, como “Frankenstein”, “Human Being”, a divertida “Personality Crisis” e “Trash” – que mistura romance barato e loucura urbana em um cenário musical grotesco mas belo.
Pioneiros da música pré-punk de Nova York no início da década de 70, o New York Dolls se separaram de forma amarga em 1975, sendo o rompimento provocado, em parte, por suas tendências autodestrutivas. Mas seus feitos não passaram despercebidos em Londres – naquele mesmo ano, Malcolm McLaren (que havia empresariado o New York Dolls durante um breve tempo, no final da carreira da banda) roubou o conceito do grupo e formou uma nova banda, os Sex Pistols.






