Um álbum duplo significa geralmente duas coisas na vida de uma banda. A mais habitual é servir de companhia para a típica crise de meio de carreira, quando os integrantes resolvem contemplar seu próprio umbigo, e os solos de bateria de 12 minutos passam a ser a regra. A menos frequente é o fato de a banda ter tanto material bom que não caberia num único álbum.
Produzido por Nick Launay, que esteve no comando de Nocturama (2003), AB/TLOO reecontra a banda – privada da força de Blixa Bargeld -, dando continuidade à sua parceria com os membros do Seeds, voltando a participar da composição das músicas. O álbum é definitivamente esquizofrênico, com um som bem definido dominando cada seção. Abattoir Blues ressoa com humor de Cave exortando o ouvinte em “There She Goes, My Beautiful World” e contrabalança a metafísica com a realidade banal da faixa-título: “Fui pra cama na noite passada e meu código moral ficou emperrado, eu acordei esta manhã com um Frappucino na minha mão”.
The Lyre Of Orpheus adota um tom mais contemplativo e contém algumas das músicas mais vertiginosas que Cave já escreveu, como “Breathless” e a picante “Babe, You Turn Me On”. Há ainda espaço para outra surpresa, quando o London Community Gospel Choir adiciona profundidade espiritual a “Carry Me” e à emocionante “O Children”.
À medida que os integrantes do Seeds avançam nos 40, torna-se claro que a idade não irá aquietá-los.
There She Goes, My Beautiful World:
Abattoir Blues:
Breathless:
Babe, You Turn Me On:
Carry Me:
O Children:
Get Ready For Love:
Cannibal’s Hymn:
The Lyre Of Orpheus:
Supernaturally:
























