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“Pink Moon” de Nick Drake

Depois que seu sensacional segundo álbum, Bryter Layter, foi praticamente ignorado pela crítica, Nick Drake retirou-se para seu apartamento quase vazio em Londres. Pink Moon estava fadado a se despir dos floreios orquestrais que deram a Bryter Layter e a seu álbum de estreia, Five Leaves Left, seu rasgado tom emotivo.

Certa vez, Peter Buck, do R.E.M., perguntou ao produtor John Wood como tinha conseguido um som tão intimista em Pink Moon. Wood explicou que Drake havia se limitado a sentar ao microfone, nos estúdios da Sound Techniques, e tocar. Todo o clima foi criado com o poder sem efeites da guitarra e da voz mágica de Drake, trêmula de emoção.

Os elementos barrocos das melodias de Drake, seu intrincado trabalho de guitarra e a ampla musicalidade criam as linhas harmônicas descendentes de “Parasite” e o excesso de acordes coloridos de “Pink Moon” (a única canção em todo o álbum na qual foi feito overdub). O tom bucólico de “Place To Be” remete às imagens da natureza típicas da produção de Drake, enquanto “Ride” traz mudanças de acordes rápidas, de tirar o fôlego. O talento excepcional de Drake na guitarra permanecia intacto, mas se prestava, agora, a canções mais duras, tristes, perturbadoras. Ao que consta, Drake apareceu na gravadora apático e deixou as fitas masters deste seu último álbum com uma das secretárias.

“From The Morning” encerra o disco com uma rara nota de otimismo. O triste, porém, é que um de seus versos – “and now we rise, and we are everywhere” – acabou sendo o epitáfio gravado no túmulo desse músico de enorme talento que morreu em 1974, com apenas 26 anos.

Parasite: YouTube Preview Image

Pink Moon: YouTube Preview Image

Place To Be: YouTube Preview Image

From The Morning: YouTube Preview Image

“Bryter Layter” de Nick Drake

Bryter Layter ficou no meio do caminho entre o reflexivo álbum de estreia de Nick Drake, Five Leaves Left (1969), e o deprimido Pink Moon (1972). Mas é um disco que apresenta Drake em grande forma, imagem que foi obscurecida pelo mito de depressivo cultivado pelo artista. Em seu segundo álbum, machucado pela indiferença com que Five Leaves Left foi recebido, ela apenas fez uma nova tentativa.

Em Five Leaves Left, a guitarra de Drake ou a orquestração de Robert Kirby estavam em primeiro plano; agora, o papel principal era do Fairport Convention. Como no primeiro álbum, Bryter Layter traz o guitarrista Robert Thompson, que convidou o baixista Dave Pegg e o baterista Dave Mattaks, enquanto John Cale comparece com o piano e a celesta. Até aparece um saxofone em “At The Chime Of A City Clock”. Apesar do vocal sussurrante – uma característica de todo o seu trabalho -, foi neste disco que Drake passou mais perto de uma banda de rock.

O tom relativamente bem-humorado do álbum não corresponde à lenda de Drake. A jazzística “Poor Boy” parecia zombar de sua própria melancolia, e é impossível detectar qualquer coisa além de uma radiosa alegria na instrumental “Introduction”, que abre o disco. Além disso, “Nothern Sky” é bonita demais para ter sido escrita por alguém indiferente à vida. Apenas o tédio expresso em “One Of These Things” e a ligeiramente perturbadora “Fly” deixam perceber a lenta deterioração do estado emocional de Drake.

Bryter Layter registra uma época em que Drake estava desapontado, mas ainda não abatido pela dificuldade em fazer sucesso. É a introdução ideal à sua música.

At The Chime Of A City Clock: YouTube Preview Image

Poor Boy: YouTube Preview Image

Northern Sky: YouTube Preview Image

One Of These Things: YouTube Preview Image

Fly: YouTube Preview Image

“Five Leaves Left” de Nick Drake

Embora o culto a Nick Drake – a exemplo do que aconteceu com ídolos posteriores, como Marc Bolan e Kurt Cobain – o tenha elevado a um nível diferente, muito além de sua música, a obra desse artista folk britânico, muitas vezes subestimada, permanece essencial para quem estiver interessado em descobrir o significado dos anos 60.

O álbum de estreia de Drake, Five Leaves Left, é um trabalho admirável: repleto de músicas complexas e introspectivas, mas impregnadas de arranjos e de produção tirados diretamente da prateleira do pop. Graças à sua formidável tropa de co-conspiradores, que incluía os dois Thompsons do folk (Richard, do Fairport Convention, e Danny, do Pentangle) e o mestre das cordas Robert Kirby, o disco contém canções brilhantes e cheias de vida que não envelheceram um minuto desses anos todos. Apesar de seu trabalho posterior ser mais experimental e acessível, Five Leaves Left continua a ser a porta de entrada para se conhecer Drake.

A fenomenal “River Man”, com sua letra questionadora, combina muito bem com a suave voz de tenor de Nick – e a força de seu violão o coloca entre o folk e o psicodélico. As cordas sinuosas de “Way To Blue” são também inspiradoras, assim como o violoncelo com toques orientais, emocionante e inesquecível, de “Cello Song”. É uma viagem criativa da qual não dá para dispensar praticamente nenhuma faixa.

Drake ficaria mais popular em sua carreira, mas nunca superou este primeiro álbum – e, se sua morte prematura foi uma tragédia, a música que ele deixou, sem dúvida, garantiu-lhe a imortalidade.

River Man: YouTube Preview Image

Way To Blue: YouTube Preview Image

Cello Song: YouTube Preview Image

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