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“Wild Is The Wind” de Nina Simone (1966)

Nina Simone podia cantar blues como Billie ou jazz como Ella. Estilisticamente, ela nunca foi tão consistente quanto as duas, e este foi o maior obstáculo de sua carreira, que levou muitos críticos a subestimá-la. Mas, em meados dos anos 60, ela já tinha provado a si mesma que podia chegar a uma posição confortável no mundo do jazz, Broadway, gospel, pop e folk, e construiu sua cota de música satisfatória e variada por onde passou.

Apesar de ter sido montado a partir de sobrar de gravações feitas entre 1964 e 1965, Wild Is The Wind é o melhor exemplo de como o ecletismo de Simone podia dar origem a uma obra musical coesa. O disco exibe uma variedade espantosa, com 11 faixas até então inéditas que levam a uma viagem sinuosa mas convincente por diferentes estilos e emoções.

Simone está exultante na faixa de abertura, a turbulenta “I Love Your Loving Ways”, o que dá à sombria “Four Women”, que se segue, um efeito ainda mais devastador. A música, que narra os sofrimentos de quatro mulheres negras, fermenta numa raiva mal contida que iria matizar o material mais politizado da compositora que viria à tona pouco depois.

“Why Keep On Breaking My Heart” e “Either Way I Lose” parecem ter como objetivo satisfazer as grandes plateias que transformaram sua versão de “I Love You, Porgy”, de Gershwin, em sucesso em 1959. A faixa-título, um tour de force de quase sete minutos, é uma sensacional canção de amor que se situa entre os melhores trabalhos da cantora.

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