Nascido em 1948, Nusrat Fateh Ali Khan quase se tornou um médico. Mas resolveu seguir uma tradição familiar que já remontava a 20 gerações e dedicar-se à música. A família Khan preservava o legado dos Qawwali, o estilo devocional praticado pelos sufis em oração a Deus (Alá) e seu profeta (Maomé).
Khan chegou até ao público ocidental graças à produtora Real World, de Peter Gabriel, e também devido a uma impressionante atuação no festival WOMAD de 1983, na Inglaterra. Devotional Songs (um dos dez álbuns de Khan lançados pela Real World) foi um sucesso entre os críticos musicais das revistas de rock. A revista inglesa Vox louvou o seu “erotismo orgânico” e de fato há um ritmo quase sexual nesses exóticos hinos religiosos.
As palmas e a tabla criam um ritmo tão firme que parece haver instrumentos eletrônicos nas músicas. O efeito é fascinante e reflete a intensidade febril das maratonas que são os shows ao vivo de Khan. A gaita e o bandolim transmitem uma sonoridade folk, com diversos elementos gregos, celtas e flamencos. Como pano de fundo ao êxtase vocal de Khan há um coro que lhe responde até nos induzir ao transe.
Nos anos que precederam a sua morte, em 1997, Khan foi um artista residente da Universidade de Washington. Não viveu para ver o horror e o preconceito criados pelo 11 de setembro, assim como o medo vulgar que o evento suscitou em relação às suas crenças e tradições espirituais. Ouvindo a gloriosa obra de Khan, não encontramos ódio – há somente um profundo sentimento de amor.




