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“(What’s The Story) Morning Glory?” do Oasis (1995)

(What’s The Story) Morning Glory? foi o epicentro do britpop, um rejuvenescimento cultural que abrangeu toda a Grã-Bretanha nos anos 90, reavivando, ainda que por breves instantes, um orgulho pela música, moda e arte do país que não se via desde os longíquos anos 60.

“Hello” é uma música tipicamente arrogante para iniciar o álbum – o refrão é uma sátira à música de Gary Glitter, “Hello! Hello! I’m Back Again”. O hino “Don’t Look Back In Anger” não levou muito tempo para converter-se na música favorita dos estádios de futebol (a letra foi inspirada em um fragmento de uma conversa de John Lennon). “Some Might Say” proporcionou à banda o seu primeiro lugar na Inglaterra, ainda que muitos achassem que o ponto alto do álbum fosse a cativante “Wonderwall”(segundo lugar na Inglaterra), com acompanhamento de violoncelos – o título da música vem de uma trilha sonora composta por George Garrison em 1969: Noel afirmou que tinha sido composta para a sua namorada, Meg Matthews. Em termos de ternura e dimensão épica, contudo, a comovente “Cast No Shadow” (que fala do vocalista do Verve, Richard Ashcroft) supera as expectativas: as cordas são cheias de sentimento e Liam interpreta intensamente as letras evocativas com uma voz que raras vezes conseguiu igualar. A faixa-título é um hino combativo com um refrão de afirmação da vida cercado por ruídos apocalípticos de helicópteros. Chegamos então à doce “Champagne Supernova”, que encerra o álbum com solos de guitarra dramáticos interpretados por Noel e Paul Weller. Noel explicou ao diretor de arte Brian Cannon que o álbum era essencialmente urbano, daí a capa do álbum – uma fotografia de Berwick Street no Soho de Londres.

No verão de 1996, (What’s The Story) Morning Glory? já tinha alcançado nove discos de platina, definindo assim uma época e um lugar de forma mais absoluta do que qualquer outro álbum inglês até então.

Hello: YouTube Preview Image

Don’t Look Back In Anger: YouTube Preview Image

Some Might Say: YouTube Preview Image

Wonderwall: YouTube Preview Image

Cast No Shadow: YouTube Preview Image

Morning Glory: YouTube Preview Image

Champagne Supernova: YouTube Preview Image

“Definitely Maybe” do Oasis (1994)

É fácil se esquecer de quão estéril era o panorama musical britânico em 1994. O britpop ainda não tinha se desenvolvido inteiramente e o grunge tinha morrido com Kurt Cobain. Foi preciso que cinco caras bem comuns, vindos da classe operária, reacendessem a chama e redefinissem o panorama musical.

O Oasis nunca teve uma infância. Cuspido nas ruas de Manchester, parecia já estar completamente formado. Definitely Maybe continua sendo o seu álbum mais coeso e estimulante até hoje. A capa do disco mostrava as influências do grupo: de George Best a Burt Bacharach, garrafas de vinho tinto (na verdade era groselha). Futebol, música e bebida: uma banda feita de pessoas do povo.

E o povo os amava. Não havia pretensão alguma no fato de suas músicas muitas vezes estarem próximas de serem versões dos Beatles. “Rock ‘N’ Roll Star” deixa o rumo claro desde o início: é hedonista por excelência. A hilariante “Cigarettes And Alcohol”, uma referência a “Get It On” do T-Rex, aponta outro rumo. “Shakermaker”, por sua vez, “roubada” ao New Seekers, fica ainda mais interessante por ser uma cópia tão descarada. O single “Live Forever” é um dos melhores clássicos já compostos por Noel Gallagher. O fato de os cinco integrantes do Oasis encarcarem, ainda que brevemente, o autêntico espírito do rock nos anos 90 faz com que escutar este disco hoje seja ainda mais gratificante. A sensibilidade acústica da música que encerra o álbum também é algo que a banda poucas vezes voltou a criar.

O Oasis foi como um tanque Sherman para a indústria musical. Confiável, muitas vezes devastador e com quem ninguém gostaria de discutir.

Rock ‘N’ Roll Star: YouTube Preview Image

Cigarettes And Alcohol: YouTube Preview Image

Shakermaker: YouTube Preview Image

Live Forever: YouTube Preview Image

Married With Children: YouTube Preview Image

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