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“Snivilisation” do Orbital (1994)

Paul e Phil Hartnoll, também conhecidos como Orbital, começaram chamando atenção quando lançaram seu primeiro trabalho, Chime, que dizem ter custado menos de uma libra para produzir. Com o seu terceiro álbum, Snivilisation, o Orbital assegurou um amplo reconhecimento.

Misturando o dance eletrônico com crítica social, Snivilisation tem influências tão diversas quanto Brian Eno, Philip Glass, o anarquismo do coletivo punk Crass e a política draconiana do partido conservador da Grã-Bretanha com suas incansáveis tentativas de aniquilar a cultura rave.

A música “Are We Here?” retrata uma visão em forma de pesadelo de um governo rígido empenhado em afundar a população no silêncio e na austeridade. Combinando samples arrepiantes e ritmos drum ‘n’ bass altamente processados, o trabalho conta com o talento vocal único de Alison Goldfrapp, que contribui espetacularmente para o glitch-techno de “Sad But True”.

“Philosophy By Numbers” satiriza o consumismo crescente em que vivemos e “Quality Seconds” é uma paródia da impetuosidade dos anúncios televisivos, um breve interlúdio atonal em meio ao esplendor melódico do disco. Os fascinantes ritmos de “Crash And Carry” evocam um mundo sombrio onde imperam roubos de carros e uma quebra do tecido social. A crítica satírica do Orbital à cultura moderna estende-se até a imagem da capa, que mostrava uma figura surreal traçada como um contorno tubular ouvindo um walkman.

O caráter inovador do álbum, aliado ao crescente sucesso do duo em suas apresentações ao vivo, fez com que tivesse um lugar de destaque no mundo da música. Sendo um trabalho ambicioso e apaixonado, Snivilisation é o legado de uma época em que o Estado quase ameaçou seriamente a cultura popular.

Are We Here?: YouTube Preview Image

Sad But True: YouTube Preview Image

Philosophy By Numbers: YouTube Preview Image

Quality Seconds: YouTube Preview Image

Crash And Carry: YouTube Preview Image

Forever: YouTube Preview Image

Attached: YouTube Preview Image

“Orbital II” do Orbital (1993)

O Orbital surgiu em 1989, quando a acid house e a rave dominavam o panorama musical e cultural na Inglaterra. Composto pelos irmãos Paul e Phill Hartnoll, o Orbital queria ser a trilha sonora da cena rave. Enquanto seu álbum de estreia, lançado em 1991 e chamado de “álbum verde” (por causa da capa), era basicamente tecno, Orbital II (o “álbum marrom”) mostrou um enorme progresso musical e criativo.

O disco começa com um sample de Worf, personagem de Jornada nas Estrelas – A Nova Geração, sobreposto a um loop com ruído de vinil que os irmãos resolveram acrescentar por brincadeira. Baseado em longos loops que entram e saem da música, criando texturas sonoras em permanente mudança, o álbum é um fluxo constante de energia, algumas vezes muito dançante. Colocadas entre dois curtos samples de falas artificiais, as oito faixas criam uma unidade coerente, ainda que permaneçam individualmente distintas. O lento aumento de energia em “Lush 3-1″ é a preparação perfeita para sua continuação, “Lush 3-2″ (com vocais de Kirsty Hawshaw, do Opus III), a qual, depois de cinco minutos de pura grandiosidade, se transforma em “Impact”, a faixa mais longa e uma das prediletas nos shows. Logo antes do final, os irmãos Hartnoll atingem outro momento sublime com “Halcyon + On + On”, que também inclui os vocais de Kirsty Hawkshaw, assim como um sample do cover do Opus III, “It’s A Fine Day”.

Os irmãos Phill e Paul Hartnoll cativaram o público de tecno e das raves de todos os cantos do mundo com suas apresentações perfeitamente coreografadas (seus shows ao anoitecer de 1994 e 1995 em Glastonbury são considerados clássicos). “Lush 3-1″ e “Lush 3-2″ ainda hoje são lembradas com carinho como marcos do movimento rave e de toda a cena de música eletrônica na Inglaterra.

Lush 3-1: YouTube Preview Image

Lush 3-2: YouTube Preview Image

Impact: YouTube Preview Image

Halcyon + On + On: YouTube Preview Image

It’s A Fine Day: YouTube Preview Image

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