Paul e Phil Hartnoll, também conhecidos como Orbital, começaram chamando atenção quando lançaram seu primeiro trabalho, Chime, que dizem ter custado menos de uma libra para produzir. Com o seu terceiro álbum, Snivilisation, o Orbital assegurou um amplo reconhecimento.
Misturando o dance eletrônico com crítica social, Snivilisation tem influências tão diversas quanto Brian Eno, Philip Glass, o anarquismo do coletivo punk Crass e a política draconiana do partido conservador da Grã-Bretanha com suas incansáveis tentativas de aniquilar a cultura rave.
A música “Are We Here?” retrata uma visão em forma de pesadelo de um governo rígido empenhado em afundar a população no silêncio e na austeridade. Combinando samples arrepiantes e ritmos drum ‘n’ bass altamente processados, o trabalho conta com o talento vocal único de Alison Goldfrapp, que contribui espetacularmente para o glitch-techno de “Sad But True”.
“Philosophy By Numbers” satiriza o consumismo crescente em que vivemos e “Quality Seconds” é uma paródia da impetuosidade dos anúncios televisivos, um breve interlúdio atonal em meio ao esplendor melódico do disco. Os fascinantes ritmos de “Crash And Carry” evocam um mundo sombrio onde imperam roubos de carros e uma quebra do tecido social. A crítica satírica do Orbital à cultura moderna estende-se até a imagem da capa, que mostrava uma figura surreal traçada como um contorno tubular ouvindo um walkman.
O caráter inovador do álbum, aliado ao crescente sucesso do duo em suas apresentações ao vivo, fez com que tivesse um lugar de destaque no mundo da música. Sendo um trabalho ambicioso e apaixonado, Snivilisation é o legado de uma época em que o Estado quase ameaçou seriamente a cultura popular.














