Aqueles que não gostam do pop inglês baseado em sintetizadores, típico do início dos anos 80, costumam dizer que a música é fria e sem sentimento, mas, no início de sua carreira, o Orchestral Manoeuvres In The Dark (OMD) produziu um pop puro e nostálgico com técnicas experimentais. Não é coincidência que todas as músicas de Architecture And Morality (com exceção do fantástico fluxo de climas de “Sealand”) durem quase o mesmo tempo: três minutos e meio. “She’s Leaving” é uma referência declarada aos Beatles, outra banda originária de Liverpool que combinou a experimentação com sucessos pop, ainda que em uma escala muito maior.
Andrew McCluskey e Paul Humphreys tinham assinado havia pouco tempo o contrato com o selo Factory, onde conheceram o renomado designer Peter Saville. Foi ele que criou a obra de arte austera que é essa capa, uma das mais representativas da época.
Num surto arrogante de genialidade conceitual, os dois integrantes do grupo compuseram, separadamente, duas músicas em homenagem à mais famosa das mártires católicas francesas, ambas chamadas “Joan Of Arc” e ambas lançadas como singles, com poucos meses entre os dois. Foi apenas em virtude do pânico de alguns diretores na Virgin que o segundo single foi diferenciado do primeiro pelo acréscimo de “Maid Of Orleans” no título, entre colchetes. O grupo teria que esperar cinco anos até alcançar um grande sucesso nos Estados Unidos, quando receberam uma ajuda de John Hughes, diretor de filmes para adolescentes. Architecture And Morality não é apenas o seu melhor álbum; é também um dos melhores discos de synth-pop já gravados.







