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“Otis Blue: Otis Redding Sings Soul” de Otis Redding (1965)

O mundo de música tem despejado por aí muitas fraudes e artistas medíocres, e muitos deles properaram num grau muito acima de seu talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco. Menos de três anos depois deste disco revolucionário, o avião que levava o doce Otis caiu no Lago Monona, Wiscosin, em 10 de dezembro de 1967.

Como filho de pastor, o gospel estava em seu sangue, mas Otis Blue abrange ainda o soul, o R&B e o pop. Gravado no legendário estúdio da Stax em Memphis, com um time de músicos que incluída os clássicos M.G.s, o álbum é uma delícia – todos os arranjos foram masterizados por Redding.

As faixas misturam músicas originais e versões – duas do mentor de Redding, Sam Cooke -, mas a intensidade emocional com que são apresentadas deve-se apenas a Otis. “Respect” mostra Redding muito seguro de si, enquanto “Down The Valley” é ao mesmo tempo original e suculenta. Há uma versão de “Satisfaction”, dos Stones – o que é irônico, talvez, já que o grupo estava levando o soul negro de volta aos Estados Unidos -, que deixa o vocal de Jagger no chinelo.

O álbum colocou Redding a caminho da fama mundial, e ele chegaria ao auge no Festival de Monterey, em 1967, onde empolgou uma plateia predominantemente branca com números como “Try A Little Tenderness”, encerrando com palavras cruelmente proféticas: “Tenho que ir embora agora, mas não quero”.

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