Chano Pozo revelou a batida da conga afro-cubana ao jazz quando tocava na orquestra de Dizzy Gillespie, no final dos anos 40. Dessa forma, ele abriu a porta para talentosos percussionistas como Louis “Sabu” Martinez, que o substituiu na banda de Gillespie depois da morte de Pozo, em 1948.
Equipado com mãos e espírito poderosos, Sabu triunfou como músico de estúdio da Blue Note Records, trabalhando nos discos Orgy In Rhythm e Holiday For Skins, de Art Blakey, entre outros. Como músico principal em Palo Congo, ele deliciou o público com uma variedade de batidas, se valendo de sua herança espanhola, africana e indígena.
A gravação, coordenada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder, capta a fúria da rumba cubana e estilos afins. Martinez convidou uma banda que incluía a tres (uma guitarra cubana com três cordas duplas) do produtivo Arsenio Rodriguez, um pilar da salsa moderna, e Ray Romero, que havia tocado com Miguelito Valdes. Os músicos, na maioria oriundos da banda de Rodriguez, interagem com Sabu numa calorosa gravação analógica, sem distorções. Apesar de ser mono, é tão bem equilibrada que permite se ouvir individualmente a percussão, as vozes e o baixo acústico.
Sabu abre cantando “El Cumbanchero”, de Rafael Fernandez, uma melodia contagiante. A genialidade de Arsenio permeia “Rhapsodia Del Maravilloso”, na qual introduz variações de “El Manisero”. Sua tres tem um quê de soul e funk.
O próprio Sabu faz solos potentes de percussão em Palo Congo, em meio a orações de santeria, num álbum que ilumina suas raízes como nova-iorquino residente no El Barrio, no Harlem espanhol.

