Os primeiros trabalhos solo de Paul McCartney não indicavam que ele era capaz de fazer boa música fora dos Beatles. Ele saiu com algumas pérolas solitárias – em especial, “Maybe I’m Amazed” e “Live And Let Die” -, mas os álbuns completos, como Red Rose Speedway, de 1973, estavam bem aquém da qualidade do quarteto de Liverpool.
Ainda por cima, McCartney, que pouco tempo atrás andara frequentando as manchetes dos jornais num flagrante de drogas, sofreu importantes baixas nos Wings – o baterista Denny Seiwell e o guitarrista Henry McCullough deixaram o grupo uma semana antes da banda viajar para Lagos, na Nigéria, onde o LP seria gravado. E, quando chegaram, McCartney e sua mulher, Linda, foram assaltados e ameaçados com uma faca. Mas, apesar de tudo…
McCartney conhecia cada centímetro do que era necessário fazer. Band On The Run abre com a montanha-russa que é a faixa-título – uma espécie de minissuíte, que lembra os elaborados arranjos do lado B de Abbey Road. Ele continua no ritmo avassalador do início com a pulsante “Jet” e prossegue em alto nível com a luminosa “Bluebird”, que pode fazer par com “Blackbird”, dos Beatles. O disco tropeça um pouco em “Let Me Roll It”, uma resposta equivocada à mordaz “How Do You Sleep?”, de John Lennon, mas encontra o rumo novamente no lado B, em faixas consistentes como “Mamunia” e “No Words”.
Seis celebridades britânicas participaram da capa, que flagra a “fuga” e lembra, em menor escala, o famoso projeto gráfico de Sgt. Pepper. Band On The Run foi um sucesso de crítica e de vendas, e consagrou-se como o melhor momento do ex-beatle.







