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“Graceland” de Paul Simon (1986)

Graceland é a crise de meia-idade do quarentão Paul Simon. Ao mesmo tempo velho e novo, assinalou uma encruzilhada não só para o cantor como para todos os corações doloridos que tinham perdido a inocência nos anos 60 e, 20 anos depois, procuravam novos caminhos para se reencontrar. Alguns compravam Ferraris; Simon foi para a África do Sul, violando o boicote cultural das Nações Unidas, para fazer um disco que evocaria as tradições musicais de duas culturas e traçaria uma linha divisória entre seu passado e seu futuro musical.

Unindo forças com outros músicos notáveis, como Ladysmith Black Mambazo e Tao Ea Matsekha, Paul Simon conseguiu misturar perfeitamente um estilo tradicional sul-africano, Mbaqanga – cujas estruturas de três acordes e harmonias de acompanhamento o lembravam da música R&B de que gostava quando criança -, com suas próprias melodias pop elegantes. Os ritmos hipnóticos e as linhas de baixo dançam em torno dos gritos zulu em “I Know What I Know”; guitarras graciosas se juntam a acordeões em “Gumboots”, e os inesquecíveis lamentos de Ladysmith Black Mambazo em “Homeless” soam como um mapa indo e vindo da cultura africana à americana. Quando o álbum foi posto à venda, as questões políticas negativas em torno de sua criação foram amplamente superadas pela beleza e graça dos seus ritmos, convencendo qualquer ouvinte de que os horrores do apartheid nada tinham a ver com a fraternidade musical.

I Know What I Know: YouTube Preview Image

Gumboots: YouTube Preview Image

Homeless: YouTube Preview Image

“Hearts And Bones” de Paul Simon (1983)

Os anos 80 não começaram bem para Paul Simon. O seu filme One Trick Pony e a respectiva trilha sonora foram bombardeados pela crítica e isso, aliado à sua saída amarga da CBS, provocou um bloqueio criativo no artista. No entanto, a terapia fez com ele se reencontrasse e as músicas compostas em seguida são o pilar de Hearts And Bones. O disco havia sido pensado como um trabalho de Simon & Garfunkel, pois o duo tinha voltado a se reunir para o famoso show do Central Park (com uma plateia de 500 mil pessoas) e fez uma turnê logo em seguida. No entanto, as velhas feridas não tardaram a reabrir. As escassas contribuições de Garfunkel que Simon tinha deixado passar foram eliminadas do álbum, que acabou sendo lançado como o quinto disco solo de Simon.

O melhor momento deste álbum é quando mostra o amadurecimento de Simon. O artista tinha feito 40 anos em 1981; “Train In The Distance” (sobre sua primeira esposa), “Song About The Moon” (aparentemente escrita como terapia pessoal) e “The Late Great Johnny Ace” (um tributo a John Lennon, com arranjo de cordas de Philip Glass) são pura reflexão. por outro lado, o disco escorrega quando mostra a sua própria idade e não a de Simon: “Allergies” fica quase perdida sob a bateria ribombante do músico de estúdio Steve Gadd. Ainda assim, há poucos momentos ruins.

Simon pode ter lidado bem com os seus 40 anos, mas o público ainda não estava preparado. Hearts And Bones teve um retorno comercial pior do que o trabalho anterior, levando Simon à África para gravar o próximo disco, Graceland, mais bem recebido.

Train In The Distance: YouTube Preview Image

Song About The Moon: YouTube Preview Image

The Late Great Johnny Ace: YouTube Preview Image

“Paul Simon” de Paul Simon

Se Paul Simon ainda não estivesse seguro de tudo ter terminado, a gravação de “So Long, Frank Lloyd Wright” seria a confirmação. A faixa que encerra o lado A de Bridge Over Troubled Water recebeu uma interpretação adorável de Art Garfunkel, que, aparentemente, não se deu conta de que Simon guardou no bolso “The Only Living Boy In New York”, mas a mágoa permaneceu: ele não se conformava com o fato de Garfunkel querer se dedicar menos à dupla e mais à carreira de ator. O álbum saiu no início de 1970, mas a parceria não sobreviveu além da entrega do Grammy, em março.

Como Garfunkel passou grande parte do período de gravação de Bridge Over Troubled Water nas filmagens de Ardil 22, o disco era, praticamente, um trabalho solo de Simon. Paul Simon, porém, é um álbum bem diferente. Há traços de seu entusiasmo por músicas exóticas: o balanço reggae de “Mother And Child Reunion”, que contou com um grupo de notáveis da música jamaicana (o título foi inspirado em um prato, à base de frango e ovos, que Simon comeu num restaurante chinês), e “Hobo’s Blues”, em que ele duela na guitarra com o violinista Stephane Grapelli.

Paul Simon pode ser considerado um dos melhores álbuns de cantor-compositor da década de 70. Com o microfone só para ele, Simon mostra grande forma vocal, com destaque para “Duncan” (uma mistura de “The Bozer” com “El Condor Pasa”), para a melancólica valsa de “Congratulations” e para “Everything Put Together Falls Apart”, que traz uma estrutura de acordes fluida mas labiríntica, uma aula de dois minutos de sofisticação musical.

Mother And Child Reunion: YouTube Preview Image

Hobo’s Blues: YouTube Preview Image

Duncan: YouTube Preview Image

Everything Put Together Falls Apart: YouTube Preview Image

Me And Julio Down By The Schoolyard: YouTube Preview Image

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