Graceland é a crise de meia-idade do quarentão Paul Simon. Ao mesmo tempo velho e novo, assinalou uma encruzilhada não só para o cantor como para todos os corações doloridos que tinham perdido a inocência nos anos 60 e, 20 anos depois, procuravam novos caminhos para se reencontrar. Alguns compravam Ferraris; Simon foi para a África do Sul, violando o boicote cultural das Nações Unidas, para fazer um disco que evocaria as tradições musicais de duas culturas e traçaria uma linha divisória entre seu passado e seu futuro musical.
Unindo forças com outros músicos notáveis, como Ladysmith Black Mambazo e Tao Ea Matsekha, Paul Simon conseguiu misturar perfeitamente um estilo tradicional sul-africano, Mbaqanga – cujas estruturas de três acordes e harmonias de acompanhamento o lembravam da música R&B de que gostava quando criança -, com suas próprias melodias pop elegantes. Os ritmos hipnóticos e as linhas de baixo dançam em torno dos gritos zulu em “I Know What I Know”; guitarras graciosas se juntam a acordeões em “Gumboots”, e os inesquecíveis lamentos de Ladysmith Black Mambazo em “Homeless” soam como um mapa indo e vindo da cultura africana à americana. Quando o álbum foi posto à venda, as questões políticas negativas em torno de sua criação foram amplamente superadas pela beleza e graça dos seus ritmos, convencendo qualquer ouvinte de que os horrores do apartheid nada tinham a ver com a fraternidade musical.














